O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 09/10/2018
A peste negra no século XV, as inúmeras doenças transmitidas pelos colonizadores portugueses aos índios brasileiros e o surto de HIV (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) no século passado são períodos caracterizados pelo terror e busca constante de meios para controlar essas patologias. Entretanto, mesmo com o surpreendente avanço tecnológico e medicinal, mazelas antes controladas estão voltando no Brasil, devido não só à irresponsabilidade dos cidadãos, como também ao descaso governamental.
Mormente, é inegável a contribuição dos brasileiros para a atual reincidência de doenças no Brasil. De fato, isso é observado nos recentes movimentos antivacina, os quais não têm embasamento científico, além dos “fake news”, que circulam nas mídias a exemplo da informação equivocada de que vacinas causariam autismo em crianças. Dessa maneira, essa infeliz conduta negligente coloca em risco não só o próprio cidadão, mas também os demais, já que muitas enfermidades são de fácil propagação.
Ademais, é inocente acreditar que a volta de patologias é pauta relevante para o Estado. Nesse sentido, tal como afirma o filósofo Lévi-Strauss “a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio da análise de seus eventos históricos”, o Brasil historicamente não promove medidas de esclarecimento para a população, tal como ocorreu na Revolta da Vacina no século XX, em que os cidadãos recusaram-se a tomar a vacina obrigatória por não possuírem informações suficientes sobre ela. Logo, sem medidas que os eduquem, o país estará condenado a grandes perdas.
Destarte, fica axiomático o quão imprescindível são as medidas para o controle da reincidência de doenças no Brasil. Urge, assim, que o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, promova a mobilização e o esclarecimento da população, por meio de comerciais, documentários com especialistas da saúde, apresentação de dados e histórico das patologias.
Somente com medidas como essa, tais doenças ficarão só no passado.