O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 15/10/2018
A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, garante a todos os indivíduos o direito à saúde e bem-estar social, defendendo a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. No entanto, é notório que parte da população canarinha é impossibilitada de exercer esse direito na prática, tendo em vista que a baixa cobertura vacinal, aliada à falta de empatia da população e a inoperância de políticas públicas corroboram para o reaparecimento de doenças erradicadas no país.
A princípio, em 1904, o Rio de Janeiro - RJ se encontrava em estado de calamidade, sem saneamento básico e devido ao aglomerado de pessoas, epidemias se espalhavam. Como medida paliativa, o governo tornou a vacinação obrigatória. Porém, parte da população não compreendia os benefícios das vacinas, o que gerou revolta entre os habitantes. Nesse ínterim, a vacinação continua a ser o principal meio de prevenção e combate de doenças. Entretanto, movimentos antivacinação, que se espalham sem base científica, comprometem o bem estar da nação. Por conseguinte, o ato de não vacinar deixa de ser uma decisão pessoal e pode ser considerado de responsabilidade coletiva, já que compromete o bem estar dos cidadãos. Nesse sentido, o escritor Paulo Leminski, ao dizer que “em mim eu vejo o outro” relata o oposto do que se presencia no cenário atual. Sendo assim, os civis ao seguirem a premissa de Leminski e se colocarem no lugar do outro, com mais empatia, atenuariam o problema.
Ademais, é inegável que a insuficiência de estratégias estatais contribui com o problema. Visto que, a política nacional garante a população o progresso em direitos sociais e econômicos, porém essa política não tem sido o suficiente, já que o desabastecimento de vacinas essenciais nos postos de saúde e a falta de recursos municipais para a gestão de programas de vacinação, influenciam a disseminação de patologias. A título de exemplo, no levantamento feito pela Folha de São Paulo, um em cada quatro municípios do país tem cobertura de vacinas obrigatórias aos infantes abaixo do ideal. Destarte, enquanto o poder público não cumprir seu dever constitucional, de garantir saúde e dignidade social para os que necessitam, a nação tupiniquim será obrigada a conviver com o retorno de doenças.
Somando-se aos aspectos supracitados, faz-se necessário, que o direito a saúde seja assegurado na prática, como delineia a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Sendo assim, o Ministério da Saúde, em parceria com o IBGE, deve fazer uma análise das principais cidades do país afetadas e que possuem os menores índices de vacinação, criando estratégias que busquem maior adesão da população, estendendo os horários de atendimento durante a semana. Além disso, as campanhas de vacinação devem ser ampliadas, de modo que ilustre a importância da vacinação e a segurança desse instrumento de imunização, a fim de reduzir casos de emersão de doenças.