O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 16/10/2018

No período literário Pré-modernista, o autor Monteiro Lobato, em sua obra “Urupês”, relata o descaso do Estado no fornecimento de melhores condições de vida aos moradores rurais. De maneira análoga à situação hodierna, percebe-se que o desmazelo governamental, junto à baixa participação social, tem influenciado o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil. Desse modo, medidas que amenizam essa problemática devem ser elaboradas.

Cabe pontuar, a princípio, que o baixo engajamento social no país tem corroborado o ressurgimento de doenças uma vez mitigadas. Isso porquê o descarte de lixos e de entulhos em locais inapropriados torna um habitat propenso ao desenvolvimento dos mosquitos, como Aedes aegypti - responsável pela transmissão da dengue, do zika, da febre amarela, entre outras. Além disso, o clima tropical, concomitante ao baixo nível do saneamento básico no país, tende a legitimar, ainda mais, essa situação. Isso se explica segundo dados oficiais da Fundação Oswaldo Cruz, os quais mostram que o número de doenças em área sem saneamento básico é sete vezes maior do que em lugares que têm tratamento de água e de esgoto.

Outrossim, vale ressaltar que as notícias falsas e a baixa informação têm feito parte da população recusar vacinações oferecidas pelo governo. Isso devido ao falso senso comum disseminado pelas pessoas de que as vacinas podem deixar o indivíduo doente. Esse fator induz ao ressurgimento dessas doenças, como o sarampo, já que, conforme OMS, para uma população ser imunizada, a vacinação tem que atingir 90% da sociedade. Logo, não há dúvidas de que as notícias falsas é um dos fatores preponderante para aumentar a incidências das doenças antes mitigadas.

É indubitável, portanto, que ainda há entraves no que concerne ao combate do reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil. Em primeiro plano, o governo, paralelo ao Ministério da Saúde, deve investir em meios midiáticos, para intensificar as propagandas sobre os benefícios de manter a vacinação de uma pessoa em dia. Essa medida pode ser viabilizada por meio de distribuição de cartilhas, explicitando todo o processo biológico da vacinação, a fim de tornar o conhecimento mais específico e de evitar que a população deixe de ser imunizada por causa da baixa informação. Em segundo plano, o  Estado, aliado ao IBAMA, deve intensificar a investigação e punição das pessoas que realizam o descarte do lixo em locais inapropriados. Isso pode ser feito por meio de um disque-denúncia exclusivo para esse problema, a fim de mitigar a disseminação de mosquitos e, consequentemente, a proliferação de doenças causadas pelos mosquitos. Dessa maneira, poder-se-á amenizar o número dessas doenças e