O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 16/10/2018

Na célebre obra literária “Ensaio Sobre a Cegueira”, do escritor contemporâneo José Saramago, o autor disserta sobre o surto de uma cegueira epidêmica, o qual rompeu os olhares da sociedade para uma óptica corriqueira e cidadã. Análogo ao exposto, hodiernamente, no que concerne ao reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, o autor estaria correto em relação a “cegueira”, haja vista que tal temática ainda é posta em segundo plano por grande parte da democracia nacional, principalmente, em seu mecanismo de combate e de controle. Nesse contexto, há fatores os quais não devem ser negligenciados, como o avanço da ações antrópicas para fins lucrativos, o descaso governamental nas engrenagens urbanas e as Fakes News.    Em primeira análise, cabe pontuar que o desenvolvimento industrial e a anti conservação ambiental corroboram para a emersão de moléstias combatidas em tempos primórdios. Nesse ínterim, com o crescimento econômico proporcionado pelas ações antrópicas em diversas áreas da cobertura verde amazônica, muitas vezes, ocorre o processo de interrupção natural dos ciclos biogeoquímicos e a destruição do habitat de animais silvestres, como os mosquitos e os roedores que transmitem doenças, a qual passam a encontrar moradia na rede urbana. Por conseguinte, à medida que esse processo torna-se exorbitante, atrelado a falta de saneamento básico em grande parte das cidades, a proliferação tende a ganhar destaque e se potencializar. Mediante isso, pela ineficácia governamental, o pensamento de Thomas Hobbes garante sua máxima, uma vez que o homem demonstra ser o pioneiro de sua própria miséria - o descaso e o crescente número de casos de contaminação.    Ademais, convém frisar que as notícias infundadas perpetuam a problemática das doenças erradicadas no Brasil. Isso porque com o advento das tecnologias, pseudonotícias concernentes à vacinação da poliomielite transmitiram a mensagem de que o método de prevenção poderia retroceder o desenvolvimento dos recém nascidos. Desse modo, com essa propagação, o ministro da Saúde Gilberto Occhi, culpa as fakes news por atormentar, não raro, grande parte dos brasileiros nas campanhas de vacinação, pois com a queda da cobertura vacinal, a sociedade está mais suscetível a contaminação de doenças bacterianas e virais como, por exemplo, a Sífilis, a Escarlatina, a gripe A (H1N1) e o sarampo, em que podem causar, algumas vezes, a morte do indivíduo. Diante disso, é incontrovertível a busca de métodos para solucionar esse cenário, caso contrário, haverá um processo cíclico nas doenças, como análogo a música do artista Cazuza, “Eu vejo o futuro repetir o passado”.    Dessa forma, diretrizes que formulem mudanças são essenciais para o combate ao reaparecimento de doenças erradicas no Brasil. Para isso, cabe ao Governo, aliado ao Ministério do Meio Ambiente, ampliarem a fiscalização de leis ambientais a favor da conservação em locais com alto índice de fauna e flora vegetal, para não proporcionar a migração de agentes transmissores. Isso pode ser feito por intermédio da contratação de engenheiros ambientais e novos fiscais de formação sustentável, com o intuito de preservar o meio ambiente e não aumentar a proliferação de corpos patogênicos para a zona urbana. Além disso, o Governo, também, deve contratar novos profissionais da saúde e do saneamento básico, principalmente, em periferias com situações precárias de higienização, a fim de combater o foco de transmissão de doenças virais causadas por mosquitos. Atrelado a isso, é imprescindível que a Mídia, em parceria com Ministério da Propaganda, fiscalize a disseminação de notícias falsas, além do incentivo de novas propagandas comunitárias e socioeducativas a respeito da vacinação, por meio do aumento de verba para as áreas publicitárias. Desse modo, o ressurgimento de antigas doenças será amenizado e, quem sabe, a nação socializada não estará “cega” para o ímpasse de novas enfermidades, dando orgulho ao literário José Saramago.