O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 17/10/2018
Durkheim define a sociedade como um organismo biológico, cuja parte em disfunção ocasiona o colapso do sistema inteiro. Tal afirmação reflete ao reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, que tem como alguns dos fatores o precário saneamento básico do país e a intensificação de ações antropológicas na natureza. O Artigo 6° da Constituição afirma que todos cidadãos têm direito à educação, porém há um descompasso entre a lei e sua eficácia, comprometendo a vida dos indivíduos menos instruídos. Faz-se necessário, portanto, que o Estado, em parceria com seus Ministérios, se mobilize acerca dessa questão.
Desde a Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo, o mundo tem priorizado, demasiadamente, lucros e mercado em detrimento de valores humanos essenciais. Nesse sentido, observa-se o agravamento de intervenções humanas no meio ambiente com intuito de gerar riquezas, como o desmatamento. Essas causam alterações climáticas que favorecem o ressurgimento de doenças antes erradicadas, como sarampo, febre amarela, tuberculose e dengue. Tais enfermidades também seriam evitadas se o saneamento básico do país não fosse tão precário, principalmente nos bairros mais pobres, pois dificultaria a reprodução e sobrevivência de seus vetores.
Outrossim, apesar da vacinação ser a principal medida profilática contra essas patologias, características da Revolta da Vacina, movimento social de combate a vacinação obrigatória exigida pelo governo em 1924, estão presentes até hoje na sociedade brasileira, na qual muitos ainda se recusam a vacinar por medo de contraírem doenças psicológicas e efeitos colaterais. Sob esse viés, uma boa educação é fulcral para o desenvolvimento da população e o fim desse receio, pois, como proferido por Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Contudo, o ensino no Brasil é muito precário e desigual, sendo a qualidade proporcional à renda do aluno.
Em última análise, é imprescindível que o Estado invista na higiene das cidades e moradias, além de declarar punições severas àqueles que não respeitarem o meio ambiente, por meio de leis e agentes governamentais responsáveis por fiscalizar se essas estão sendo cumpridas, a fim de dificultar o surgimento dos transmissores de doenças. Junto a isso, o MEC (Ministério da Educação) deve investir nas escolas, principalmente as públicas, e promover palestras sobre as medidas profiláticas das principais mazelas e a importância da vacinação, através da capacitação de professores e parceria com os colégios, para que a população se previna. Indubitavelmente, se a sociedade se unir e tais providências forem tomadas, essa problemática será, ao menos, amenizada.