O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 17/10/2018
A Revolta da Vacina ocorrida no início do século XX no Rio de Janeiro, apresentou um cenário de insurreição popular devido às vacinas obrigatórias pelo Estado sem a conscientização dos benefícios dessa prevenção para o cidadão. Embora date de décadas passadas e o presente avanço na medicina, a negligência no processo de vacinação é notório hodiernamente, corroborando aparecimento de doenças já erradicadas no Brasil. Nesse viés, é imprescindível analisar o papel do Estado e da sociedade no fortalecimento dessa problemática.
A princípio, segundo os dados do Ministério da Saúde, mais de mil casos de sarampo foram confirmados em 2018, em conjunto a outras doenças, como a malária e a poliomelite. Nessa perspectiva, é válido relacionar esse regresso com a questão da crise política e econômica que o país enfrenta, uma vez que o interesse dos governantes está em manter sua posição - a qualquer custo, expondo o sistema de saúde à cortes de verbas como forma paliativa para resolução econômica da União. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “Instituição Zumbi”, segundo o qual o Estado perdeu a sua função social, mas manteve sua forma. Dessa maneira, o abandono dos programas de prevenção originada pela falta de cobertura governamental, intensifica o problema na saúde pública e a proliferação de doenças.
Em detrimento dessa questão, enquanto o Estado falha no baixo investimento vacinal, outros grupos surgem para fundamentar seus ideais e difundir notícias falsas. Desse modo, o movimento antivacinação encontra forças na falta de comunicação e campanhas entre o Estado e a sociedade que transmitam a importância da vacinação. Assim, esses grupos disseminam os efeitos colaterais errôneos ocasionado pela medida preventiva, além de ludibriar a população comprometendo a saúde e a segurança da sociedade. Com isso, esses indivíduos negligenciam a vacinação pela teoria da liberdade de escolha - contudo é indubitável questionar até que ponto existe liberdade de escolha quando há em risco a saúde pública do país.
Infere-se, pois, combater os meios que estimulam o aparecimento dessas doenças no Brasil. Para isso, o Poder Executivo, na figura do Estado deve promover maior investimento no setor da saúde preventiva, por meio de uma arrecadação significativa do PIB, a fim de restabelecer os programas de vacinação e a segurança na saúde pública. Associado a isso, o Ministério da Educação, em conjunto com os canais de comunicação e as escolas devem desmistificar os efeitos colaterais da vacina, por intermédio de campanhas publicitárias e palestras com educadores, com o intuito de instruir a sociedade no valor e na eficácia da vacinação.