O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 18/10/2018
Anos de pesquisa e trabalho duro culminaram na criação da vacina: mecanismo defensor que possibilitou o controle e a erradicação de certas doenças mortais ao redor do mundo. Todavia, muito se tem vinculado na mídia casos de doenças reemergentes, isto é, devido a movimentos de antivacinação e os efeitos da globalização, certas enfermidades voltaram a se fazer presente no cotidiano da população. Entender quais são as raízes desse problema é o primeiro passo rumo à construção de uma sociedade livre de tais mazelas.
Em primeiro plano, cabe ressaltar que a condição econômica de determinado grupo social é um dos fatores que explicam o retorno de certas doenças. De fato, embora assegurado na Constituição de muitas sociedades modernas o direito básico do acesso à saúde pública de qualidade, a desigualdade social que acomete muitos países corrobora para esse quadro de reincidência patológica. Não obstante, uma vez que, de modo geral, a condição de vida da população pobre contribui para o surgimento e a propagação de epidemias, a globalização atua como um fenômeno intensificador de tal problema.
Contudo, movimentos antivacinatórios recentes colaboram com o registro de doenças erradicadas em países onde esses grupos se tornaram mais expressivos. As raízes de tal mobilização datam de 1998 após a publicação de um artigo que associou certo tipo de vacina ao autismo. Desde então, observa-se traços da teoria do fato social de Émile Durkheim, onde tal maneira coletiva de pensar e agir prejudica não somente o indivíduo que se recusa a se imunizar, mas também todos aqueles ao seu redor. Ademais, embora no Brasil haja baixa adesão a esta ideologia, os riscos são reais e podem comprometer a saúde pública do país. Um exemplo de tal premissa foi o que aconteceu em 2011 quando uma criança não vacinada contraiu sarampo e contaminou mais sete bebês.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação disponibilizar profissionais de saúde para atuar em escolas de nível fundamental e médio, proporcionando palestras e atividades recreativas que visem conscientizar os alunos sobre os benefícios da vacinação e os malefícios da falta dela. Além disso, é imprescindível que o governo federal promova campanhas de vacinação a comunidades carentes e puna mais severamente aqueles que se recusam a se vacinar, a fim de proteger a população de uma colapso na saúde pública. Só assim poderemos aprender com Sócrates que os erros são frutos da ignorância humana para prevenir futuras mazelas.