O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 19/10/2018

Grande parte dos países do mundo vem apresentando melhorias significativas em seus índices relativos ao controle de doenças, como apontou a Organização Mundial da Saúde em 2018. Entretanto, em trajetória contrária a esse fato, o Brasil enfrenta desde 2017 um descontrole relativo a doenças anteriormente consideradas erradicadas em nosso território. O nosso país já é alvo de preocupação da Unicef pelo reaparecimento dessas doenças, sendo esse panorama corroborado por fatores como a queda na taxa de vacinação e a importação de enfermidades trazidas por estrangeiros.

Nesse contexto, a Sociedade Brasileira de Imunizações reforça a importância de vacinar a população. A imunização para doenças como a poliomelite e o sarampo, que estavam sob controle há muitos anos, caiu em torno de 10% de 2016 para 2017. Outras doenças, como a rubéola e a difteria, que não eram presentes no território brasileiro, também voltaram a aparecer. Considerando que mais de 17 doenças são prevenidas com a ministração de vacinas e que muitas são oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, é razoável perceber que o decrescimento das taxas de vacinação não pode ocorrer, pois isso facilita que enfermidades voltem a aparecer em indivíduos não devidamente protegidos.

Outrossim, um problema que vem sendo detectado é o da importação de doenças endêmicas em outros países, principalmente os que têm infraestrutura precarizada de saúde. Diante dessa frágil conjuntura, os estrangeiros estão mais suscetíveis a doenças em seus países e quando ingressam no Brasil, especialmente enquanto refugiados, podem trazer consigo tais enfermidades. Esse caso foi perceptível em 2018 a partir da entrada de imigrantes venezuelanos, quando a região Norte brasileira voltou a contabilizar casos de sarampo, que há muito tempo não afetava o Brasil. Por essa razão, é essencial que os governos estejam mais atentos às fronteiras e ao controle da saúde daqueles que entram em nosso país, porque a desatenção é capaz de ratificar algumas doenças erradicadas como um novo mau presente.

Urge, portanto, a necessidade de tomar ações para conter esse problema. O Ministério da Saúde deve, junto aos municípios, cobrar maior repasse de verbas para políticas de vacinação e melhorias na infraestrutura de saúde pública, pois isso contribui para prevenir a manifestação de enfermidades. Além disso, os estados fronteiriços com outros países devem exigir maior atenção do governo federal no tocante à quantidade de médicos atuantes e à disponibilidade de vacinas, pois essa medida colabora com a redução de doenças trazidas de fora do nosso território. Assim, é possível que o Brasil volte a aumentar o controle sobre doenças erradicadas, conforme foi capaz de fazer por muitos anos.