O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 21/10/2018
Desde o surgimento do capitalismo moderno, esse sendo um conceito analítico em Weber e não um fenômeno historicamente datado, que as políticas públicas voltadas para a saúde coletiva vêm obtendo destaque no cenário nacional. Porém, mesmo com o avanço da civilização, a população brasileira hodierna, como em uma narrativa kafkiana, assiste perplexa ao reaparecimento de doenças erradicadas no País. Isso ocorre em virtude da ineficiência educacional e da deficiência coercitiva do Estado.
Com efeito, a mediocridade no ensino e conscientização sobre as formas de prevenção de doenças, principalmente as reemergentes, que têm aumentado exponencialmente no Brasil, agrava o problema. Logo, embora o Ministério da Educação (MEC) contenha entre os temas transversais a saúde, conteúdos sobre a transmissão e prevenção de doenças são pouco explorados. Dessa forma, como analisa o filósofo Folcault, o ensino apresenta-se de maneira mecanicista em vez de social.
Outrossim, embora a Constituição Cidadã de 1988 tenha gerado grandes avanços sociais, a mansuetude das leis e das suas aplicações torna o ambiente propício à proliferação de doenças antes eliminadas. Nesse contexto, como preconiza Karl Marx, as condições materiais de uma estrutura social condicionam as relações entre os seus componentes. Assim, o Estado, detentor dos mecanismos responsáveis pela garantia do bem estar e promoção da saúde pública, falha em sua função social. Associando, portanto, a ineficiência educacional e a deficiência coercitiva do Estado, tem-se o problema do ressurgimento de doenças erradicadas no Brasil. Para que isso seja resolvido, torna-se imperativo que o Governo, por meio do MEC, com a introdução de cartilhas educativas e em parceria com ONGs, realize, em instituições públicas e privadas, palestras sobre a prevenção e cuidados acerca de doenças, com o fito de extirpá-las. Além disso, o Estado, por meio do SUS, deve ampliar o sistema de vacinação, com a promoção de campanhas, principalmente em bairros onde a proliferação de doenças é mais intensa, a fim de prevenir e conter os índices de contaminação de pessoas.