O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 22/10/2018

Apesar da descoberta da vacina no século XVIII, o receio e a ignorância da população impediram sua disseminação completa. Desta forma, doenças fatais como a varíola só foram erradicadas no século XX. Paralelamente, o reaparecimento na última década de doenças antes eliminadas torna evidente o perigo que se apresenta da repetição da história: o medo e a falta de conhecimento aliados à desvalorização da prevenção representando grande risco à saúde da sociedade.

Convém, inicialmente, ressaltar o impacto do movimento anti-vacina no Brasil. Com o suporte das redes sociais, informações sem base científica, como supostas reações às vacinas ou formas alternativas de imunização como alimentação ou óleos, são divulgadas. Desta maneira, pais optam por não vacinar seus filhos, confiando que estão tomando a melhor decisão.

Outro fator importante é a negligência com a prevenção fora dos períodos de surto. Ou seja, enquanto as pessoas veem alertas constantemente na televisão e temem a doença, preenchem clínicas e postos de saúde. Entretanto, a superlotação impede a vacinação de todos e, após o período de surto, os não imunizados, agora sem a ameaça iminente, não retornam.

Assim, visto que a credibilidade de notícias sem base científica e a desvalorização da prevenção são o problema, medidas são necessárias. Cabe, portanto, ao Ministério da Saúde em parceria com o Ministério Público, órgãos reponsáveis respectivamente pelo zelo da saúde e segurança pública, inclusive digital, do país, a criação de uma campanha contra as falsas informações na internet, focada nos usuários assíduos das redes sociais. Outra medida seria tornar obrigatória a vacinação para efetivar matrículas em escolas e faculdades, forçando a população a se ater ao calendário de vacinação mesmo fora dos períodos de epidemia de doenças. Desta forma, evitaria-se a repetição da história impedindo que o medo e ignorância coloque a saúde da sociedade em grave risco novamente.