O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 23/10/2018
Durante o século XX, houve uma revolta social dos brasileiros contra as campanhas de vacinação, a Revolta das Vacinas, evidenciando falta de relevância da sociedade a respeito da problemática. Essa característica é refletida nos dias atuais, marcados por indiferença diante da prevenção de doenças, sobretudo as “erradicadas” no Brasil. Soma-se a isso a redução das campanhas de saúde, algo que agrava esse triste quadro de muita remediação e pouca prevenção.
Em primeiro lugar, é preciso abordar a falta de pertinência de muitas pessoas a respeito da vacinação. Desde a Pré-História o ser humano desenvolveu o estranho hábito de remediar, isto é, resolver problemas, não os prevenir, o que certamente se reflete na prevenção de doenças. Isso pode ser comprovado a partir de alguns casos graves de poliomielite no Brasil do século XX, quando só depois de muitas crianças morrerem devido à doença a população decidiu se prevenir de novos casos a partir da vacinação. O mesmo ocorreu com a febre amarela e a gripe A( H1N1). Como não houve reincidência das enfermidades por muito tempo, parte da sociedade não deu mais importância a elas, e o resultado foi o ressurgimento de epidemias. Na Região Norte, por exemplo, recentemente surgiram casos de poliomielite; em quase todo o país houve registros de óbitos em virtude da febre amarela; em São Paulo, depois de 7 anos, a H1N1 reaparece com 157 infectados só no primeiro trimestre de 2016.
Em segundo lugar, a falta de relevância não só está presente na comunidade civil como também é presenciada no próprio setor da saúde. Ora, em épocas epidêmicas, o Zé Gotinha, personagem de campanhas de vacinação, era bastante conhecido, visto que havia muitas campanhas de incentivo à prevenção patológica. Nos dias atuais, no entanto, não se vê mais o personagem na televisão ou murais de postos de saúde como antes. Ou seja, a importância ligada à saúde é mais notória quando não há mais opções além de remediar ou morrer doente. Ou, como diz Augusto Cury, a sociedade só percebe sua doença quando é tarde demais.
Portanto, o reaparecimento de doenças no Brasil está ligado à falta de relevância social e campanhas de vacinação. Logo, medidas ligadas a esses âmbitos devem ser tomadas. O Ministério da Saúde pode investir em mais campanhas de prevenção patológica a partir de cartazes e palestras em locais públicos, indicando a importância de prevenir patologias a partir de exemplos registrados no país. A mídia deve se unir ao ministério para expor as campanhas em programas televisivos, de modo que a sociedade tenha consciência hospitalar diariamente. Assim, uma nova mentalidade brasileira formar-se-á, o que reduzirá epidemias futuras.