O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 24/10/2018
Durante parte dos séculos XIX e XX, uma epidemia de varíola atingiu a humanidade dizimando a população de algumas cidades em até 50%. Essa, que é considerada pela Organização Mundial de Saúde a única enfermidade infectocontagiosa totalmente erradicada, hoje, décadas depois, tem ameaçado a Sibéria. Nessa região, cadáveres que contém o vírus da varíola, pois estavam cobertos por montanhas de gelo, com o aquecimento global, podem ficar expostos, aumentando consideravelmente a chance de essa doença voltar. Por hora, o Brasil encontra-se livre dessa enfermidade, porém, vale ressaltar que outras, como o sarampo, a febre amarela e a tuberculose, voltam a aparecer, seja pelo desuso da vacinação ou pelo descaso com o meio ambiente.
A princípio, no Brasil, pode-se associar o reaparecimento de tais doenças com diversos fatores, entretanto, o principal deles é a falta de vacinação. De acordo com o Ministério da Saúde, nos últimos anos, cada vez menos pessoas têm se vacinado e a principal redução foi de crianças menores de 5 anos. Além do número de não imunizados, cresceu, simultaneamente, a quantidade de grupos avessos à vacina, nas redes sociais e na internet, diversas notícias alertando que a vacina faz mais mal do que bem viralizam rapidamente. Assim, devido ao fácil acesso a esses canais de comunicação, muitas vezes a sociedade se deixa levar pelo senso comum e acredita em algo que estão compartilhando e comentando sem verificar a veracidade e fonte das informações.
Não obstante, os impactos ambientais também são responsáveis por esse cenário, considerados pela ONU os protagonistas das mudanças climáticas, oferecem condições favoráveis para proliferação de mosquitos, vírus e bactérias. Inclusive, a epidemia de febre amarela, que ocorreu no início de 2018, está fortemente relacionada ao desmatamento, pois devido à extinção de muitas espécies silvestres, o mosquito está picando o homem. Conforme pesquisa divulgada pela revista Exame, essa é a principal hipótese, segundo especialistas, para justificar o maior surto da doença no país.
Logo, nota-se que esse problema consiste na falta de informação da sociedade, por isso, para saná-lo é necessário que o Ministério da Saúde consiga driblar as fake news adotando projetos que conscientizem as pessoas da importância da vacina. Para isso, deve agir ativamente no setor público, privado, em escolas, estações de metrô e parques a fim de tirar dúvidas, informar e vacinar gratuitamente. Paralelo a isso, o Ministério do Meio Ambiente deve reforçar a fiscalização em áreas de desmatamento e punir quem o pratica de maneira ilegal e não sustentável, a Polícia Florestal deve ser melhor equipada com droones para facilitar a localização dessas áreas. Afinal, como disse Nelson Mandela, o conhecimento é o principal motor do desenvolvimento.