O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 25/10/2018
“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa o da própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para sua população que, diante da contaminação por doenças controladas anteriormente, vivem, não necessariamente bem. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da base educacional e das “fake news””.
Deve-se pontuar, de início, que a falta conhecimento de parte da população é um complexo dificultador. Embora a obrigatoriedade da imunização de crianças ser prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, muitos pais negam esse direito na prática e, assim, não vacinam seus filhos. Isso, consoante ao pensamento do filósofo A. Schopenhauer, o qual defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Diante dessa perspectiva, se os indivíduos não tem acesso à informações confiáveis em mídia televisiva aberta sobre como, de fato, ocorre o processo de vacinação, sua visão tende a ser limitada, o que dificulta a aproximação das duas realidades.
Outro ponto relevante, nessa temática, é o papel das notícias falsas na adesão às campanhas de imunização. No início do século XX, ocorreu no Rio de Janeiro, a Revolta da Vacina, onde o povo se recusou a aderir a campanha de vacinação obrigatória. De maneira análogo, hodiernamente, movimentos anti-vacinas espalham diversas mentiras sobre o processo, o que favorece a criação de bolsões de pessoas não vacinadas e suscetíveis à doenças antigas e fatais. Além disso, é importante ressaltar que, ás vezes, a importação de um único caso pode causar epidemias, como ocorreu, por exemplo, na década de 90, em São Paulo, onde um único caso de Sarampo, vindo do Japão, causou uma epidemia de proporções continentais.
Torna-se imperativo, portanto, que, de modo urgente, medidas sejam tomadas. Em razão disso, o MEC juntamente com o Ministério da Cultura devem desenvolver palestras em escolas, a serem webconferenciadas nas redes sociais desses órgãos, por meio de entrevistas com vítimas de doenças erradicadas e especialistas no assunto, com o objetivo de trazer mais lucidez à população sobre o tema. Além disso, nesses eventos, é preciso discutir a importância do conhecimento e da busca de fontes confiáveis de informação, a fim de erradicar esse problema. Por fim, a comunidade brasileira não apenas viverá, mas viverá bem.