O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 21/03/2019

“Oi, sumida!”

A Revolta da Vacina, desenrolada no Rio de Janeiro, em 1904, foi resultado de uma campanha obrigatória contra a varíola que desencadeou uma onda massiva de protestos e violência. Certamente, a reação violenta da população deveu-se à falta de informação e da imposição do governo contra as minorias, além da dispersão de boatos sobre as vacinas. Não obstante, a disseminação atual de doenças, que já estavam controladas, procede de uma crescente onda antivacinas e, assim como ocorreu no início do século XX, da responsabilidade governamental.

Não obstante, a vacina é a forma mais efetiva de prevenção contra doenças. Em paralelo, muitas epidemias foram contidas, atenuadas ou erradicadas, em solo brasileiro, através dessa imunização ativa. Por exemplo, a varíola foi extinguida em 1980, e o último caso de poliomelite foi em 1989. Essas e outras vitórias foram resultados de campanhas eficazes e esclarecedoras por parte do governo. Entretanto, em conformidade a afirmação de Pablo Neruda: “Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências.”, a sociedade perdeu o medo de patologias que já não são consideradas perigosas e estão desleixadas com o calendário de vacinação.

Por esse motivo, doenças que estavam atenuadas voltaram a ocorrer em pequenos surtos, como é o caso do reaparecimento do sarampo no norte do Brasil. Outrossim, segundo o Ministério da Saúde, há riscos da volta da poliomelite em solo brasileiro, após 30 anos sem notificação. Entre essas e outras notícias, é perceptível que existe uma consequência maior para cada atitude pessoal. Entretanto, a responsabilidade do ressurgimento de epidemias, não é somente da população, o poder público arca com grande parte, a saber, quando em muitos municípios, o serviço de saúde não possui estoque suficiente de vacinas e, dessa forma, o povo mais carente fica a mercê de enfermidades que poderiam ser evitadas.

Portanto, é imprescindível, a atuação do governo federal, com parceria municipal, na reorganização do sistema de municípios com baixa cobertura vacinal, criando estratégias para melhorar a distribuição de vacinas, e nos postos de saúde modificar e ampliar o horário de atendimento para os fins de semana, no período de campanha, em prol de atingir um público que por causa do trabalho fica impossibilitado de ir à unidade. Ademais, é necessário, o auxílio da mídia para uma maior conscientização da população sobre a importância da vacinação, por meio de propagandas com atores e influenciadores digitais citando casos que poderiam ter sido evitados, e falando contra movimentos antivacinas, a favor de uma eficiente melhora e volta da taxa zero para doenças evitáveis.