O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 21/03/2019
O prestígio do conhecimento racionalmente construído em detrimento do conhecimento tradicional cujas origens estão, frequentemente, em “revelações divinas” foi um dos maiores legados do Iluminismo. Na esteira desse processo, houve enorme desenvolvimento científico, especialmente no combate às doenças que sempre afligiram à humanidade. Além de criar as vacinas e os antibióticos, o homem desenvolveu técnicas de saneamento e entendeu como criar espaços menos suscetíveis às doenças. Como resultado a expectativa de vida aumentou, os enormes surtos de peste que ocorreram durante toda a idade média tornaram-se mais raros e algumas doenças foram dadas como erradicada em diversos territórios. Mais recentemente, surgiram movimentos ao redor do mundo, que negam a virtude de alguns avanços científicos e como consequência doenças estão reemergindo. Esses movimentos podem ser chamados de anti-cientificistas e pré-iluministas.
Dentre as bobagens produzidas pelos pré-iluministas existem coisas como a idéia de que as vacinas são uma ferramenta desenvolvida pelos governos para controlar a sociedade ao invés de uma eficiente tecnologia para prevenção de doenças.
Outra irracionalidade com impacto terrível no combate às doenças é o tratamento dispensado por algumas religiões ao uso de preservativos. Em função disso, doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis, têm ocorrido cada vez mais.
Uma forma de combater essas ideologias obscurantistas, e consolidar os avanços civilizatórios ocorridos nos últimos séculos na área da saúde é aumentar a prevalência desses assuntos nos currículos escolares. A escola deve ser capaz de formar cidadãos que não veem controvérsias em assuntos como vacinas e preservativos. Adicionalmente, a formação escolar em história deve dar mais ênfase ao período moderna e confrontar, dialeticamente, as realidades humanas antes e depois de cada desenvolvimento científico que impactou a saúde das pessoas.