O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 29/03/2019

Observa-se hoje, principalmente na Europa e nos EUA, o recrudescimento de casos de sarampo e coqueluche, doenças anteriormente erradicadas, uma vez que uma parcela significativa da população já não corrobora mais com preceitos como a vacinação. Concomitantemente, no Brasil, casos de doenças propagadas por arbovírus, como a dengue e a febre amarela, tornaram-se verdadeiras epidemias no país nos últimos anos, o que ressalta o reaparecimento de doenças antes tidas sob controle. Dessa forma, vislumbra-se uma cenário global de negligenciamento das populações contemporâneas no tocante a prevenção de doenças, que amparadas pela medicina, se veem resguardadas e protegidas de quaisquer enfermidades.

O movimento antivacinação surgido no final do século XX foi resultado de conclusões insipientes de um pesquisador britânico, e é alimentado até os dias de hoje a partir de razões dogmáticas, ou derivado da própria ignorância de indivíduos que não reconhecem a importância individual e coletiva dessa técnica. Apesar de no Brasil os adeptos desse preceito insensato serem menos numerosos, as consequências da influência externa desse panorama já podem ser observadas sob a óptica da ascensão  de doenças antes esquecidas, como os recentes casos de sarampo, e a partir de quedas alarmantes na imunização de crianças nos últimos anos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Assim sendo, muitas vezes pais deixam de vacinar seus filhos ou a si próprios valendo-se de pressupostos equivocados, mas que no âmbito social são de suma importância  para a contenção de mazelas e melhoria da qualidade de vida da população.

Cabe ressaltar, ainda, que o avanço descomedido de arboviroses, evidenciado pelo aumento de 224% nos casos de dengue no Brasil nos três primeiros meses do ano, ou pela disseminação histórica da febre amarela durante o último verão; dados da OMS, deriva, sobretudo, do relaxamento da população e do Estado no combate a tais epidemias. Logo, os fatores propulsores dessa realidade epidêmica, são o descaso da população, no que tange ao combate diário dos mosquitos transmissores de doenças, e o desmatamento desenfreado de matas e florestas brasileiras, fomentado pelo aparelho governamental, o que  ocasiona a migração urbana de vetores, sobretudo do gênero Anopheles.

Em detrimento dessa realidade, torna-se claro a necessidade de mudanças de cunho preventivo na sociedade brasileira, a começar pela coadunação entre o Ministério da Saúde e a SBIm para que se ofertem informações acerca da vacinação, a partir de palestras públicas e cartilhas, além de campanhas estimulando o combate a mosquitos vetores de mazelas, afim de que assim se reverta a tempo o reaparecimento recente de doenças que acometem e ameaçam a sociedade brasileira.