O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 07/05/2019

O sociólogo Durkheim alegava que a consciência coletiva é imprescindível a coesão social. Nessa perspectiva, a falta de empatia com o próximo, inerente as consternações as quais estimulam o retorno de doenças erradicadas no Brasil, interfere nas relações sociais e do bem- estar comum. Isso se deve, sobretudo, a falta de políticas públicas para enfrentamento dessa realidade, bem como a negligência de algumas famílias em vacinar os indivíduos. Essa circunstância demanda uma atuação mais arrojada entre o Estado e as instituições formadoras de opinião, com o fito de superar tais mazelas.

De fato, é indubitável que a questão estatal e sua aplicação contribuam para potencializar o problema. Sob esse prisma, de acordo com Aristóteles, o exercício político tem por objetivo promover o bem-estar dos cidadãos. Nesse viés, denota-se que o País ainda convive com a precariedade na rede de saneamento básico, haja vista não haver, mormente, o tratamento integral de esgotos, tampouco o manejo e coleta do lixo. Por certo a tais fatos, o Instituto Trata Brasil comprova o acesso de apenas 50,3% da população à coleta de esgotos. Essa situação abjeta favorece a proliferação de microrganismos como vírus e bactérias, o que intensifica o regresso de doenças como a dengue, por exemplo.

Outrossim, conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, a presença da modernidade líquida se dá a partir da fluidez nas relações do cotidiano. Mediante essa premissa, a existência massiva de famílias desorganizadas está sensivelmente ligada ao reaparecimento de patologias. Esse impasse possibilita-se pela desatenção dos pais na imunização dos indivíduos, a considerar a importância desse ato apenas quando a doença aparece, mas não como um método de prevenção. Por certo a tais fatos, o Ministério da Saúde indica uma queda na vacinação contra a poliomielite em crianças, por exemplo, de 7,5%. À vista disso, a ocorrência dessas omissões corrobora para a marginalização social desse contingente, o que reitera o desequilíbrio coletivo defendido pela teoria bauniana.

Urge, portanto, que, diante do retorno de moléstias dantes erradicadas, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para tanto, cabe ao Poder Público, em consonância com o Ministério da Saúde, elaborar projetos sociais, por meio de emendas constitucionais, os quais implantem o saneamento básico no País com a abertura de cloacas, além da criação de aterros sanitários, com o intuito de combater a proliferação de agentes transmissores de doenças. Ademais, compete à família, em conjunto com à escola, produzir fóruns de discussão pedagógica, por intermédio de mesas redondas, na tentativa de estimular o senso crítico dos familiares para a imunização coerente dos indivíduos. Destarte, a coesão proposta por Durkheim será notória.