O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 15/05/2019
O movimento do retrocesso
Sarampo, coqueluche, poliomelite. Parece terrorismo psicológico mas essas são apenas algumas das doenças erradicadas no passado e que voltaram a afetar alguns países atualmente. A partir do século XVIII, a medicina obteve grandes avanços e desenvolveu inúmeras vacinas, algumas das quais erradicaram um número expressivo de enfermidades. Com efeito, esse panorama de desconstrução da saúde nacional, fruto da negligência populacional e do “movimento anti-vacinas” - o qual transmite ideias de que elas são maléficas à saúde -, mostra-se um desafio a ser superado com urgência.
Em primeira instância, a negligência social em relação às vacinas motiva um complexo cenário de reaparecimento de doenças já erradicas, haja vista bastar apenas uma pessoa infectada para certas doenças se alastrarem de forma alarmante. Além disso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que, anualmente, um milhão e meio de crianças morrem por não serem vacinadas, número que poderia facilmente ser reduzido com a devida vacinação. Vale ressaltar, também, que tal comportamento fundamenta-se na ideia que devido ao sucesso já alcançado com as vacinas e o desaparecimento das doenças, a população acredita que elas não mais existem mais e a vacinação é desnecessária.
Em um segundo plano, o “movimento anti-vacina” fomenta uma realidade preocupante de ressurgimento de doenças erradicadas e de epidemias, visto que ele tende a fazer com que o número de mortes devido à falta de vacinação, anunciados pela OMS, cresçam acentuadamente. Ademais, essa conjuntura corrobora com nitidez a concepção de “Banalidade do Mal”, refletida por Hannah Arendt, cuja base teórica buscava compreender como grande parcela da sociedade pode ser moldada para enxergar atitudes negativas como naturais. Com isso, tal reflexão reaviva a problemática enfrentada atualmente, na qual essa grave situação anti-vacina ainda se faz presente no Brasil.
Portanto, é perceptível que a negligência social e o “movimento anti-vacina” são desafios para a saúde nacional. Visto isso, a fim de garantir acentuada melhora nesse panorama, cabe ao Governo Federal, via Ministério da Saúde, mediante o redirecionamento de verbas, criar núcleos de informação em todas as cidades e promover propagandas de conscientização através de vias midiáticas. Dessa maneira, construir-se-á uma sociedade mais consciente e a reflexão de Hannah Arendt não mais estará no inconsciente nacional.