O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 10/09/2019
“Pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro”. As palavras Do historiador grego, Heródoto, relacionam-se ao ressurgimento de doenças erradicadas há mais de um século. Nesse sentido, de forma simplificada, pode-se atribuir esse panorama à imprudência da sociedade e à dificuldade dos agentes públicos em garantir a Equidade no Brasil.
Diante de esforços extenuantes o país conseguiu erradicar e controlar a maior parte das doenças epidemiológicas, sob as políticas sanitaristas coordenadas pelo médico Oswaldo Cruz. No entanto, com a manifestação da sociedade contra essas ações, por meio da Revolta da Vacina é possível compreender a relação da saúde pública com o esclarecimento de cada indivíduo. Assim, conforme afirma o filósofo francês Montaigne, “os homens tendem a acreditar, sobretudo, naquilo que menos conhecem” o que torna visível, portanto, que tais medidas profiláticas devem ser associadas a orientação social, haja vista que o movimento antivacina continua presente e tornam reincidentes doenças como a Febre Amarela, Sarampo e Rubéola. Ademais, Observa-se aumento alarmante DST’s nos últimos anos, conforme destaca o boletim epidemiológico de AIDS, que relatou o crescimento de 700% nos casos do país. Logo, esse fato está relacionado, sobretudo, a falsa ideia que esses problemas foram sanados no passado e à falta de Educação sexual efetiva no âmbito escolar.
Outrossim, é necessário salientar a relação com as desigualdades sociais. Nesse viés, conforme afirma Aristóteles: " A equidade é como uma régua maleável que se adapta a cada contexto para promover a justiça,” No entanto, a extrema pobreza ainda é uma realidade para muitos brasileiros o que dificulta a erradicação definitiva de doenças mediante a condição de vida precária. Além disso, o direito à saúde, garantido pela constituição, cada vez menos é efetivo diante da superlotação do SUS. Nesse viés, o estado não exerce de forma plena seu papel de garantidor do bem-estar social haja vista que poucas ações são executadas integralmente com o fito de reverter esse cenário.
Assim sendo, em analogia ao pensamento de Heródoto, deve-se usar as campanhas de erradicação do passado como ensinamento para criação de novas campanhas. Para tanto, o governo federal deve desenvolver um programa de saúde pública que possibilite o direcionamento dos recursos destinados a combater à volta de epidemias, com foco em atenuar as consequências da desigualdade social. O Ministério da Saúde pode ainda expandir programas como saúde na escola para orientar os discentes em conjunto com projetos interdisciplinares desenvolvidos pelo núcleo escolar sobre a importância da vacinação e demais medidas profiláticas, bem como desenvolver o estudo da Educação sexual e orientação acerca dos riscos das doenças sexualmente transmissíveis.