O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 14/07/2019

No contexto social brasileiro, o retorno de doenças antes consideradas eliminadas como sarampo, poliomielite e difteria apresenta-se como um alarmante problema de saúde pública. Sob esse viés, a negligência da população na iniciativa da imunização e a disseminação de “fake news” sobre as vacinas corroboram a problemática. Logo, urgem ações engajadas dos agentes adequados, com o escopo de modificar esse adverso quadro nacional.

Em verdade, a negligência da população, no que tange à imunização é reflexo da falsa sensação de que as doenças tratadas por esse meio não existem mais, diante do notório controle dessas no passado. Nessa perspectiva, cada vez mais pessoas optam pela não proteção, o que possibilita a infecção de indivíduos que não estão no calendário de vacinação, rompendo com o fenômeno da imunidade de rebanho, em que a própria comunidade prevenida protege os demais. Com isso, percebem-se crescentes surtos de doenças decorrentes dessa não conscientização coletiva, tendo em vista que, consoante o sociólogo Zygmunt Bauman, tudo o que fazemos, ou deixamos de fazer, reflete no corpo social.

Ademais, assim como ocorrido na Revolta da Vacina, durante a República Oligárquica no Brasil, observa-se uma resistência da sociedade para vacinação, antes pela desinformação e atualmente pela disseminação de “fake news” sobre a temática. Nesse sentido, notícias veiculadas às redes sociais recorrentemente introduzem a ideia de que vacinas matam ou que causam autismo. Isso é potencializado, sobretudo, pelo movimento antivacina, o qual não acredita nos benefícios da imunização. Por conseguinte, essa baixa adesão da comunidade compromete a efetivação do combate às doenças virais, exemplo da poliomielite, como indica dados do Ministério da Saúde, nos quais 50% das crianças em 312 cidades do país não são protegidas contra esse mal.

Destarte, é essencial alterar esse quadro de reaparecimento de doenças eliminadas no país. Para tanto, é impreterível que o Ministério da Saúde amplie as políticas de vacinação, por meio de campanhas periódicas nas redes sociais voltadas à informação sobre os benefícios da proteção, com o fito de desmistificar o imaginário popular e estimular a comunidade em prol desse ato para que o combate de doenças virais seja efetivado. Concomitantemente, é imprescindível que a sociedade esteja atenta as notícias falsas que circulam na Internet sobre a imunização, buscando fontes seguras de conhecimento, a fim de maximizar a quantidade de pessoas protegidas e atenuar a volta de doenças desaparecidas.