O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 05/08/2019

No início do século XX, houve a Revolta da Vacina, onde a população carioca manifestou-se contra a obrigatoriedade da imunização artificial de doenças que estavam alastrando a população. Nesse contexto, apesar dos avanços médicos com o passar dos anos, recentemente nota-se o reaparecimento de doenças já erradicadas no Brasil. Isso se deve ao prolongamento da crise venezuelana que se projeta no país, bem como a baixa cobertura vacinal do governo. Logo, são necessárias ações do Ministério da Saúde, juntamente ao governo, visando o enfrentamento dessa problemática.

Segundo índices do IBGE, cerca de 30,8 mil venezuelanos vivem no Brasil, devido à crise política e econômica que desencadeou a migração desses indivíduos para a região norte do país. Nesse sentido, a Venezuela passa por um surto de doenças como sarampo e poliomielite, e, os refugiados, ao ultrapassarem as fronteiras acabam trazendo consigo e espalhando os vírus nessas regiões. O governo brasileiro, com o dever de combater esse quadro, deveria destinar recursos para a melhoria da saúde pública nas áreas afetadas, no entanto, afirma que o controles dessas doenças não é prioridade para as verbas estatais. Assim, por conta da negligencia governamental, são feitas várias vítimas de doenças virais.

Ademais, é notória a diminuição da cobertura vacinal ao passar dos anos. Com isso, as grandes campanhas de vacinação, as quais eram divulgadas em canais televisivos, cartazes nas escolas e visitas periódicas dos agentes de saúde nas residências, não são mais vistas. Consequentemente, os pais deixam de vacinar seus filhos por conta da falta de esclarecimento e incentivo acerca da importância desse ato. Logo, semelhante ao episódio ocorrido em 1904 no Rio de Janeiro, a população atual deixa de se imunizar por causa da falta de atenção do Estado em estimular a informação.

Portanto, observa-se que o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, é uma problemática a ser debatida. Em virtude disso,  o Ministério da Saúde deve promover uma campanha nacional para a vacinação de públicos-alvo – crianças, gestantes e idosos – contra doenças recorrentes como o sarampo e poliomielite, as quais já estavam erradicadas no país. Essa campanha deve vir acompanhada não só do objetivo informacional, mas também da fiscalização feita através dos agentes de saúde de cada cidade, os quais tem de visitar todas as residências anualmente.  Logo, essa medida não só visaria a diminuição das vítimas como também fomentaria o esclarecimento da população brasileira.