O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 04/07/2019

No Brasil, em decorrência da falta de criticidade de muitos cidadãos, tornou-se corriqueira a compreensão de que doenças erradicadas não afetam a dinâmica atual. No entanto, embora essa perspectiva permaneça no senso comum, naturalizando esse modo de pensar, é preciso notar o quão ingênuo esse ponto de vista é ao desprezar aspectos sociais.

Os altos índices dessas enfermidades deveriam ser proporcionais ao nível de preocupação da sociedade. A sensação de segurança que a “erradicação” dessas doenças trouxe garante a volta de doenças controladas. Atitudes simples de prevenção são negligenciadas por grande parte dos cidadãos. Esses entendimentos sobre as patologias reemergentes, mesmo que simplistas, tendem a ressaltar fatores que colocam toda a população em risco. Em geral, quando a sociedade não se predispõe a assumir posturas críticas e sensatas, toda a atualização de valores fica propensa a exaltar padrões de conduta nocivos e desvirtuados que banalizam tal problema. Como se não bastasse, há de se atentar, também, à forma perniciosa como diversos segmentos sociais se comportam diante desse assunto, exaltando ideologias que, como a do grupo antivacina, afetam, também, a vida daqueles que optam por seguir as orientações da Organização Mundial da Saúde.

Por conta disso, no debate acerca da volta de mazelas previamente suprimidas, é preciso enfatizar a urgência do investimento em um maior senso de corresponsabilidade coletiva. Dessarte, em consonância com as ideias da Teoria da Coesão Social, de Durkheim, e do poeta John Donne, não se deve perguntar por quem os sinos dobram, deve-se notar que dobram por todos. Desse modo é possível evitar a proliferação de posturas meramente acusatórias que, além de desprezarem a atuação pouco eficaz ou inexistente de agentes públicos em prol da criticidade cidadã, também agenciam o aborto de sonhos e o assassinato de esperanças, ao passo que sarampo, sífilis, dengue e diversas outras doenças são desprezadas pela sociedade e retornam sem “aviso prévio”. Sob essa égide, mais do que se eximir da culpa para apontar culpados, os brasileiros devem atentar-se ao seu poder de ingerência e resolução.

Sem dúvidas, quando restrita a fatores inoportunos, qualquer iniciativa contra a expansão das doenças erradicadas está fadada ao insucesso. Assim, faz-se necessário que o Estado, por meio da parceria entre os Ministério da Saúde e da Educação com mídias sociais, conscientize a população desde a base até o ápice etário, estimulando o desenvolvimento da criticidade para inverter o paradigma atual, garantindo a informação sobre a necessidade da vacinação e de atitudes simples como uso de camisinha e os riscos da automedicação.