O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 13/08/2019

Em 1904, se iniciava a revolta da Vacina, no Rio de Janeiro, seu estopim foi uma campanha de vacinação obrigatória que levou à rebelião de grande parte da comunidade. Essa campanha ocorreu pois muitas epidemias assolavam a cidade. Hodiernamente, a realidade é semelhante a do século passado, tendo em vista que o Brasil sofre com o reaparecimento de diversas doenças erradicadas. Nesse cenário, isso é resultado dos desafios para garantir a imunização da população e do descaso governamental na garantia da saúde pública. Destarte, faz-se pertinente debater acerca dessa problemática.

A priori, é imperioso destacar que, segundo Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Com base nessa afirmação, pode-se dizer que o âmbito escolar tem papel fundamental na educação sobre os benefícios da vacinação, entretanto, muitas vezes, ele a negligencia. Desse modo, a população carece de informações e como consequência, por décadas acredita-se que as vacinas causam autismo e que podem matar por se tratar de uma conspiração do governo, por exemplo. Sendo assim, a grande negação por parte dos pais na hora de imunizar os filhos e o repasse de falsas informações, atuam como fator propulsor da mazela em questão.

Outrossim, vale ressaltar que embora a Constituição de 1988 determine a saúde como direito de todos e dever do Estado, ainda pode-se perceber uma falta de recursos e investimentos nesse setor, isso interfere significativamente no que diz respeito ao reaparecimento de doenças. Nesse âmbito, insere-se a poliomielite, doença viral cuja transmissão ocorre por meio da ingestão de material contaminado. Contudo, no ano de 2018, o Ministério da Saúde divulgou 312 municípios brasileiros com alto risco de reincidência do problema, ocasionado, principalmente, pela falta de saneamento básico nas regiões de perigo, visto que, entre essas cidades, quase 52% não têm serviços de tratamento de água satisfatório, segundo a mesma fonte.

Diante desse panorama, faz-se imprescindível a tomada de medidas ao entrave abordado. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com o Poder Midiático, desmistificar o processo de vacinação, por meio de séries e documentários que retratem de maneira fidedigna as terríveis consequências de doenças que assolam o território brasileiro, a fim de disseminar informação e aumentar o criticismo da população. Ademais, é mister que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde,  garanta o saneamento em todo o país, por meio da destinação de maiores verbas a esse fim, com o fito de promover a melhoria das condições de higiene e dificultar a contaminação de um maior número populacional. Espera-se, com isso, uma revolta positiva na saúde dos brasileiros.