O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 12/08/2019
Nos últimos anos, o reaparecimento de doenças consideradas erradicadas ou controlados no passado, tem alarmado as autoridades médico-sanitárias no Brasil. Por certo, o sarampo era considerado uma doença erradicada no país desde 2016 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), entretanto, durante o ano de 2018, boletins da entidade alertavam para um surto da doença. Nesse sentido, uma série de fatores, dos quais se destacam a intensa circulação de pessoas e a desinformação de setores da população, intensificam o quadro de patologias reemergentes.
Em primeira análise, desde o século XVI, a globalização tornou-se um evento notório e irreprimível que, apesar das inúmeras vantagens promovidas pela integração mundial, é vista como uma das causas proeminentes para a transmissão de doenças nas populações atualmente. Destarte, tal evento também favoreceu a difusão rápida de agentes patogênicos, que haviam sido anteriormente erradicados do solo tupiniquim, em um curto espaço de tempo. Com efeito, umas das causas para a preocupação com o retorno de determinadas doenças infectocontagiosas ocorre devido ao elevado número de indivíduos que chegam ao Brasil sem qualquer controle médico nas fronteiras do país, favorecendo o retorno de tais males que estavam, até então, controlados.
Outrossim, a desinformação, ou até mesmo o excesso de informações não confiáveis promovido pelo impacto de notícias falsas, fez com que várias famílias optassem por se abster das campanhas de imunização. Por conseguinte, tal ação afeta, sobretudo, as camadas mais vulneráveis da população, que não entendem as consequências da falta de saúde preventiva. Sob esse viés, o sociólogo Émile Durkheim afirma que a sociedade é como um corpo biológico, onde as partes devem interagir para garantir a coesão e a igualdade. Diante disso, a inadimplência da população reforça a atual problemática, uma vez que tais patologias, ao retornarem para ao país, encontram uma população com baixa cobertura vacinal.
Fica claro, portanto, que medidas devem ser tomadas a fim de enfrentar o atual cenário. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde deve ampliar a atuação do sistema público de saúde, mediante investimentos direcionados à instalação de postos de saúde nas principais fronteiras brasileiras, com o intuito de evitar que doenças anteriormente erradicas não retornem à população. Além disso, as prefeituras devem criar um projeto voltado para a aproximação entre as famílias e as instituições de saúde, mediante a visitação de agentes de saúde nas moradias a fim de elucidar as massas e conscientizar a comunidade acerca dos benefícios da vacinação. Espera-se, com isso, que a saúde prevaleça na sociedade brasileira.