O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 09/08/2019
É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “Tinha uma pedra no meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito do reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil. Sob tal paridade, entre o escrito poético e a realidade vigente, constata-se, que a problemática atua e repercute no cotidiano dos brasileiros como um verdadeiro obstáculo social a ser superado. Contudo, percalços como a inoperância estatal e a pouca participação popular na política dificultam o sobrepujar dessa adversidade.
De início, é importante pontuar que o descaso Governamental permite um agravamento dessa situação. Segundo Aristóteles, o Governo deve, acima de tudo, garantir o bem-estar da sociedade. Porém, nota-se o descaso das autoridades públicas em relação à falta de comprometimento em vacinar toda a população. Esse desdém é evidenciado por meio do portal de notícias BBC Brasil, o qual aponta que uma das principais causas para o reaparecimento de doenças erradicadas é o decréscimo anual da cobertura vacinal. Nesse contexto, verifica-se que os princípios aristotélicos são postos de lado, visto que ao não cumprir a meta de vacinação, imposta pelo Ministério da Saúde, milhares de pessoas ficarão suscetíveis a doenças fatais.
Além disso, a pouca participação cívica contribui para a acentuação da problemática. Consoante aos ensinamentos de Jürgen Habermas o debate livre e racional entre os cidadãos e o Estado proporciona à sociedade não só melhorias sociais, como também a criação de políticas assistencialistas. No entanto, para que o livre debate, idealizado por Habermas, ocorra efetivamente faz-se imprescindível que haja primeiramente um maior engajamento cívico popular e, consequentemente, o desenvolver de uma ampla consciência político-social. Em outras palavras, a comunidade deve se unir para ser uma fonte coletiva de mudança política. Dessa forma, reivindicações sociais como alternativas para o combate a doenças “erradicadas” serão trabalhadas com mais afinco pelo Governo e, por indução, mais rapidamente solucionadas.
Logo, para a superação desse cenário preocupante, urge que as Prefeituras Municipais, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova melhoras nas campanhas de vacinação, a fim de torná-las mais efetivas, para que todas as regiões tenham a sua população completamente vacinadas. Esse investimento deverá ser posto em prática, por meio da instalação de postos de vacinação nas regiões interioranas do país, pois é lá onde se encontra a maior porcentagem de indivíduos não vacinados. Ainda assim, parte da verba deverá ser aplicada na criação de ouvidorias públicas, com o objetivo de facilitar o diálogo entre a população e o Governo, para que o bem-estar social seja atingido.