O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 11/09/2019

O livro “A Máscara da Morte Escalarte”, de Edgar Allan Poe, conta a história de uma epidemia que dizimava parte da população de um reino. Todos temiam a Morte Escalarte, exceto o Príncipe Próspero. Fora da ficção, a volta de doenças erradicadas, como o sarampo e a poliomielite, é um fato preocupante no Brasil, uma vez que as pessoas não estão mais se prevenindo, devido à fake news e a falsa sensação de segurança que a erradicação propiciou.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, desde os anos 1990, a incidência de doenças infectocontagiosas são uma raridade no Brasil. Por conseguinte, parte da população tem experimentado a chamada falsa sensação de liberdade, proposta por Zygmunt Bauman, também na área da saúde. Com o pensamento de que surtos epidêmicos, como os do sarampo, nunca mais ocorrerão no país, essa parcela de pessoas tendem a achar que medidas preventivas, por exemplo as vacinas, não são mais necessárias, tornando-se, assim, destemidas como o Príncipe Próspero.

Em segundo lugar, o aumento da ocorrência de notícias falsas também tem influenciado o pensamento da população em relação á doenças erradicadas e suas formas de prevenção. A propagação de fake news, como, por exemplo, a de que vacinas podem causar autismo, geram um certo medo nas pessoas, as fazendo evitar este tipo de medida preventiva. Por consequência, com uma sociedade desprotegida, o reaparecimento dessas doenças exterminadas é inevitável.

Portanto, faz-se necessárias medidas para resolver o impasse. O Ministério da Saúde (MS), juntamente com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), deverão criar, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias, difundidas nos principais meios de comunicação do país, a fim de conscientizar a população acerca da volta de algumas doenças contagiosas e da importância de preveni-las, visando a diminuição das mesmas. Assim, além de evitar destinos como os do reino fictício de Edgar Allan Poe, a premissa de Immanuel Kant, “o homem é o que a educação faz dele”, se tornará uma verdade no Brasil.