O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 13/09/2019

No início do século XX, durante a República Oligárquica, o Brasil foi cenário de uma manifestação popular que ficou conhecida como Revolta da Vacina. A população que desconhecia a importância da vacina para combater epidemias virais, revoltou-se contra o governo que determinou a vacinação obrigatória. Hodiernamente, tal revolta assemelha-se aos movimentos antivacinas, no qual muitos cidadãos se recusam a vacinar e a vários outros entraves existentes no sistema de saúde, corroborando assim, o reaparecimento de doenças já erradicadas no país. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores e possíveis medidas relacionadas a esse viés social.

A priori, vale ressaltar que a vacinação é a maneira mais eficaz de evitar a proliferação de patologias virais e bacterianas. Contudo, muitos brasileiros acreditam que ela gera mais riscos do que benefícios ao organismo, em decorrência de concepções religiosas e ‘‘fake news’’ disseminadas por grupos antivacinas. A esse respeito, é pertinente destacar o relatório realizado pela OMS(Organização Mundial da Saúde), o qual afirma que a resistência à imunização ameaça reverter o progresso no combate às enfermidades infecciosas como a febre amarela, sarampo e poliomielite, reemergentes na sociedade. Desse modo, vê-se que a negligência de muitos indivíduos coloca em risco toda a população.

Outrossim, é imperioso destacar o pensamento do filósofo contratualista Thomas Hobbes, no qual ele declara que é dever do Estado promover e garantir a ordem e o bem-estar social. Seguindo tal premissa, vê-se que o Governo deturpa essa garantia, tendo em vista a falta de acessibilidade de muitos brasileiros ao sistema público de saúde, devido à má gestão e desvios de recursos de muitos governantes. Prova disso, é a falta de vacinas nos postos e hospitais, a qual muitas pessoas por não serem imunizadas, tornam-se suscetíveis à contração de viroses. Consequentemente, o descaso das autoridades governamentais propicia a emersão e propagação dessas enfermidades no país.

Destarte, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter essa problemática. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, promover conteúdos para a sociedade que conscientizem e alertem sobre a importância da vacinação, bem como na prevenção de doenças, a fim de desmistificar as informações falsas que cercam o processo preventivo. Junto a isso, é imprescindível a fomentação de maiores investimentos na saúde pública, com o intuito de ampliar os estoques de vacinas nas unidades básicas e assim, assegurar a imunização de toda nação. Só então, será factível erradicar