O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 16/09/2019
Em uma sociedade vetusta, a Peste Negra - pandemia que devastou a Eurásia- resultou em aproximadamente 100 milhões de óbitos durante a Idade Média. No entanto, com o avanço da medicina e estados científicos tal patologia fora controlada na sociedade moderna. Em contrapartida, a incoerência do reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil deve-se ao movimento antivacina juntamente com a falta de tempo e preocupação populacional. Logo, cabe ao Poder Público e as organizações formadoras de opinião desenvolver ações de combate e controle à esta problemática.
A priori, nota-se o aumento de campanhas contra a imunização hodiernamente. Nesse contexto, com a difusão de informações falsas e, até mesmo, a demonização do conhecimento médico, vacinar-se é algo “duvidoso” para uma parcela populacional. Com ênfase, após a publicação de uma pesquisa factoide na revista científica “The Lancet”, na qual o britânico Andrew Wakefield afirmava que a vacina tríplex (sarampo, caxumba e rubéola) desencadeava autismo, diversos grupos contrários à vacinação utilizam o artigo como base de seus argumentos, garantindo mais adeptos. Desse modo, apesar de outros cientistas comprovarem que a correlação feita no estudo de Wakefield não existir, diversas doenças já dizimadas retornaram após a publicação e influência dessa falácia.
Sob outro ângulo, a rotina atribulada e a despreocupação de grande parte da população com as doenças já eliminadas -como a polimielite- contribui para que as enfermidades reapareçam, visto que muitos não se previnem de maneira adequada. Por conseguinte, a máxima de Hannah Arendt em “Banalidade do Mal”, afirma que o pior mal é aquele visto como corriqueiro. Desse modo, a ausência de surtos bem como a grande carga horária trabalhista impossibilita pessoas de seguirem corretamente a prevenção e procurarem tratamentos alternativos. Logo, tendo em vista fatores supracitados faz-se necessárias medidas de combate ao desenvolvimento e proliferação de patologias antes extintas.
Portanto, o Ministério da Saúde, como instância máxima dos aspectos administrativos e de manutenção da Saúde pública, deve adotar estratégicas para o controle das doenças erradicadas com surtos no Brasil. Essa ação pode ser feita por meio de palestras e simpósios que elucidem a importância do Cartão Nacional de Vacina. Além disso, deve-se aumentar os dias e tempo de distribuição para que a parcela trabalhista consiga atendimento preventivo. Ademais, é necessário que os recursos midiáticos desenvolvam campanhas de alerta nacional acerca dos perigos de disseminar fake news sobre as vacinas e negligenciar o tratamento adequado. Por fim, cabe ao Judiciário punir quem divulgar notícias tendenciosas, principalmente as disseminadas por grupos radicais. Talvez, assim, a assertiva de Hannah seja nula e nenhuma “peste negra” assole a sociedade hodierna.