O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 16/09/2019
Após a eliminação no Brasil do mosquito vetor da febre amarela (Aedes aegypit), na década de 1950, houve a reintrodução do inseto uma década depois, o qual ocasionou um surto do vírus na zona urbana. Entretanto, contemporaneamente, observa-se que casos de reaparecimento de enfermidades já controladas são cada vez mais comuns na realidade brasileira. Com efeito, a inoperância estatal na promoção de infraestrutura de combates às doenças e a omissão social em relação ao cuidado com a saúde, tornam-se entraves para a erradicação de moléstias.
Em primeira análise, nota-se a inércia do Estado no fomento à contratação de profissionais atuantes em epidemias no âmbito da saúde pública. Segundo a Magna Carta de 1988, em seu Artigo 6º, todo cidadão tem o direito à saúde de qualidade. Contudo, a prática deturpa a teoria, visto que a malha pública brasileira carece de investimentos na contratação de agentes comunitários de endemias, os quais ficam com a tarefa de oferecer vacinas, bem como de realizar a eliminação e controle de vetores de enfermidades. Na ausência disso, o quantitativo de pessoas acometidas por doenças ditas erradicadas volta a reaparecer, a exemplo dos casos de sarampo em 2018, após o País ter adquirido o selo de erradicação da patologia em 2016, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Por outro lado, percebe-se o descuido da sociedade no que tange à questão da importância da vacinação. De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua Teoria do Habitus, o corpo social possuiu padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos. Sob esse viés, verifica-se a aplicação desse princípio no contexto brasileiro, uma vez que a coletividade, ao longo do tempo, mostra-se alienada quanto às “Fake News” noticiadas na mídia sobre as vacinas, o que leva a uma baixa adesão da população a tal prevenção e, consequentemente, a uma maior circulação nacional de “doenças do passado”, como poliomielite e sarampo. Destarte, medidas enérgicas são necessárias para se alterar essa “padronização” proposta por Bourdieu.
Portanto, nesse cenário, é vital a mudança do quadro alarmante de ressurgimento de doenças erradicadas no Brasil. Logo, o Tribunal de Contas da União deve, com prioridade, destinar verbas que, por intermédio no Ministério da Saúde, serão revertidas na contratação de reforço de agentes de saúde, especialistas em endemias, para o trabalho de monitoramento de áreas de risco de epidemias, além do reforço vacinal da população, com o fito de promover qualidade de vida aos habitantes, no intuito de garantir o que é previsto em Lei. Ao mesmo tempo, cabe às prefeituras, aliadas às ONGs, a realização de debates e mesas-redondas em escolas e praças, com vistas a alertar sobre as vantagens de se aderir à imunização. Assim, os surtos infecciosos de outrora ficariam apenas no passado.