O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 17/09/2019

A revolta da vacina foi um movimento contra as políticas de sanitarização realizadas durante a República Velha, as quais incluíam a vacinação obrigatória da população sem o devido esclarecimento estatal e a destruição de espaços urbanos. Embora vetusto, tal cenário é pertinente na sociedade contemporânea, a qual ainda é afetada por imbróglios no que se tange à prestação de serviços adequada, acesso ao saneamento básico e informação da população. Em razão disso, torna-se ascendente o reaparecimento de doenças já erradicadas no Brasil.

Em primeira análise, conforme ideário do filósofo inglês Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir acesso à saúde e bem estar social. No entanto, a manifestação de doenças anteriormente erradicadas e a redução da abrangência das campanhas de vacinação no Brasil atuam como um impasse para a efetivação desse direito. Esse quadro é alarmante e sinaliza diversas lacunas na prestação de serviços de saúde, entre elas, as más condições dos postos de saúde, a indisponibilidade de vacinas nas unidades e a ausência de profissionais suficientes para o atendimento da demanda demográfica.

Por conseguinte, a Constituição Brasileira de 1988 afirma que todos os cidadãos têm direito a moradias com saneamento básico. Entretanto, na prática, esse direito não é efetivado, visto que, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, 48,1% dos brasileiros não tem acesso à coleta de esgoto. Em decorrência disso, o espaço urbano torna-se sujeito à proliferação de insetos e agentes causadores de doenças, capazes de provocar uma epidemia.

Além disso, é incontrovertível que a falta de esclarecimento da população configura uma causa da problemática. Dessa forma, percebe-se que muitas pessoas, por desconhecerem os mecanismos de atuação das vacinas, a importância de tomá-la e as doenças que estas já erradicaram, não dão a devida credibilidade às campanhas realizadas pelo governo. Nesse sentido, a conscientização acerca da eficácia da imunização constitui uma ferramenta crucial para a resolução desse dilema.

Portanto, para reverter esse impasse, é necessário que o Estado, em conjunto com o Ministério da Saúde, invista na reforma das unidades de saúde, contratação de profissionais qualificados e aumento da disponibilidade das vacinas em condições adequadas, para que o acesso à saúde seja efetivado conforme a legislação. Somado a isso, também deve ser promovido o acesso ao saneamento básico, por meio de construções de redes de esgoto capazes de abranger a maior área possível. Desse modo, os focos incidentes dos agentes patogênicos poderão ser eliminados. Por fim, é essencial que o Ministério da Educação, além de divulgar as campanhas vigentes, conscientize a população sobre a importância das vacinas, por meio de palestras com infectologistas e profissionais especializados.