O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 22/09/2019
“Pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro”. As palavras do historiador grego, Heródoto, relacionam-se ,de forma análoga, ao ressurgimento de doenças erradicadas há mais de um século. Nesse sentido, de forma simplificada, pode-se atribuir esse panorama à imprudência da sociedade e à dificuldade dos agentes públicos em garantir a equidade no Brasil.
Diante de esforços extenuantes, o pais conseguiu erradicar e controlar a maior paria das doenças epidemiológicas, sob as politicas sanitaristas coordenadas pelo médico Oswaldo Cruz. No entanto, com a manifestação da sociedade contra essas ações, por meio da Revolta da Vacina, é possível compreender a relação da saúde pública com o esclarecimento de cada individuo. Assim, conforme afirma o filosofo francês Montaigne, “os homens tendem a acreditar, sobretudo, naquilo que menos conhecem” o que torna visível, portanto, que tais medidas profiláticas devem ser associadas a orientação social, haja vista que o movimento antivacina continua presente e tornam reincidentes doenças como a Febre Amarela, Sarampo e Rubéola. Ademais, Observa-se aumento alarmante DSTs nos últimos anos, conforme destaca o boletim epidemiológico de AIDS que relatou o crescimento de 700% nos casos do país. Logo,esse fato está relacionado, sobretudo, a falsa ideia que esses problemas foram sanados no passado e à falta de Educação sexual efetiva no âmbito escolar. Outrossim, é necessário salientar a relação com as desigualdades sociais. Nesse viés, conforme afirma Aristóteles, “A equidade é como uma régua maleável que se adapta a cada contexto para promover a justiça”. No entanto, as diferenças entre as classes ainda é uma realidade para muitos brasileiros, o que dificulta a erradicação definitiva de doenças mediante sua condição de vida precária. Alem disso, o direito à saúde garantido pela constituição cada vez menos é efetivo diante da superlotação do SUS diante da população que supera os 200 milhões de habitantes segundo o IBGE. Assim, o Estado não exerce de forma plena seu papel de garantidor do bem-estar social, pois poucas ações são executadas integralmente com o fito de reverter esse cenário de insegurança social.
Desse modo, consoante ao pensamento de Heródoto, deve-se usar as campanhas de erradicação do passado como ensinamento na atualidade. Para tanto, o Governo Federal deve desenvolver um programa de saúde pública por meio do direcionamento dos recursos destinados à combater a volta de epidemias, com foco em atenuar as consequências da desigualdade social. Associadamente, o Ministério da Saúde pode expandir programas como o “Saúde na Escola” para promover a orientação dos alunos sobre a importância da vacinação e demais medidas profiláticas, bem como trabalhar em conjunto com os professores a Educação sexual e os riscos das Doenças sexualmente transmissíveis.