O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 07/10/2019

É inegável o fato de que as doenças são uma preocupação historicamente intrínseca à sociedade brasileira. No século XX, por exemplo, surtos de varíola acarretaram uma tentativa de vacinação em massa - medida proposta pelo médico Oswaldo Cruz -, que foi severamente rejeitada pela população e culminou na Revolta da Vacina. Posteriormente, a varíola foi declarada erradicada, entretanto, voltou a assolar o Rio de Janeiro. No que tange aos dias hodiernos, é notório que o reaparecimento de doenças erradicadas ainda é uma problemática recorrente no cenário brasileiro. Isso se deve principalmente à ascensão dos movimentos antivacina.

Em primeira análise, cabe pontuar que a imunização é a melhor forma de prevenção à doenças, e as estatísticas comprovam esse fato. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacinação previne cerca de 2 a 3 milhões de mortes por ano. Todavia, o comportamento de boa parte do corpo social manifesta oposição a essa medida preventiva. Isso se deve ao fato de que diversos conteúdos disseminados nas mídias alegam que as vacinas promovem a imunidade à uma doença, mas acarretam outra. Um exemplo desse fato está na divulgação de um artigo no qual o médico britânico Andrew Wakefield associa a vacina tríplice viral ao autismo. Consequentemente, os movimentos antivacina estão em constante ascensão.

Nessa perspectiva, a resistência à imunização, em consonância com outros fatores (como mudanças climáticas, mutações genéticas virais e condições precárias de saneamento básico), compõe condições ideais para a proliferação e reemergência dessas doenças. E esse é um fato extremamente preocupante, pois sem a devida prevenção não somente as doenças já existentes vão se proliferar, mas também as erradicadas, configurando um retrocesso na história da humanidade. Dessarte, é de suma importância desconstruir a imagem negativa das vacinas, para que o passado não volte a se repetir.

Sendo assim, a necessidade de ampliar a abrangência vacinal urge no século XXI para atenuar o retorno e a disseminação de doenças erradicadas. Cabe ao Ministério da Saúde investir em campanhas que desmistifiquem a nocividade das vacinas e alertem a população sobre a importância de garantir a imunização. Isso pode ser feito por meio de cartazes explicativos, palestras em escolas (em parceria com o Ministério da Educação), propagandas midiáticas ou mutirões de agentes de saúde. Consequentemente, a sociedade estará imunizada e o número de pessoas contaminadas se reduzirá consideravelmente, e poder-se-á afirmar que o reaparecimento dessas doenças está contido e não causa impacto na sociedade brasileira.