O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 24/09/2019
Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, ainda que cada sujeito possua sua individualidade, esta se entrelaça no contexto social dos diversos grupos e instituições das quais participa. Ao considerar esse olhar como ponto de partida para a discussão acerca do reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, é nítida a influência de diversos atores sociais sobre a construção desse problema. Torna-se pontual, nesse contexto, não apenas questionar como a falta de mobilização governamental no combate às doenças possibilita a problemáticas, mas também analisar seus impactos no organismo social.
Em primeira observação, cabe compreender o papel estatal na promoção de saúde aos seus indivíduos pelo combate às doenças. Atesta-se, assim, a ótica de Bourdieu na medida em que essa instituição se faz presente na construção das peculiaridades sociais, influenciando-os pelas suas ações. Cabe salientar, entretanto, como a sazonalidade excessiva dificulta o combate eficaz às doenças, como no caso da campanha contra a dengue, veiculadas quase apenas no verão, dificultando a criação do hábito contínuo de erradicação dessas epidemias por uma certa esporadicidade dos meios profiláticos destas. Entende-se, dessa maneira, a necessidade da maior participação estatal na atenuação dessa problemática, visto sua capacidade influenciadora no pensamento do sociólogo, mostrando-se um componente importante na erradicação de doenças.
Paralelamente à questão governamental, outro ponto relevante, nesse cenário, é como o contexto pós-moderno age de modo a dificultar o reconhecimento do problema. Nessa perspectiva, observa-se a ideia de Zygmunt Bauman, pois, em sua obra “O mal-estar na pós-modernidade”, o pensador advoga que o indivíduo contemporâneo age de maneira irracional por ser vitimado pela cegueira moral. Isso significa que a sociedade não alerta seus indivíduos para reconhecerem o fortalecimento de movimentos anticientificistas, configurados pela negação dos avanços científicos, como catalizadores da problemática. Um exemplo disso é o crescente movimento antivacina, que, no recorte atual, mostra-se danoso à sociedade em razão da pessoa não vacinada tornar-se um reservatório natural da doença, contaminando outras e até mesmo fazendo-a reaparecer num futuro próximo. Configura-se, pois, como determinante, a reestipulação dos valores sociais, para assim dificultar a concretização desses movimentos e do reaparecimento de doenças.
Entende-se, diante o exposto, a necessidade da implantação de medidas para deter as problemáticas decorrentes do reaparecimento de doenças no Brasil. A princípio, é fundamental que o Ministério da Saúde fomente o combate às doenças por meio de campanhas mais duradouras, recrutando mídias físicas e digitais durante todo o ano para, assim, construir um hábito mais sólido na população, favorecendo a erradicação de doenças. Ademais, cabe ao Ministério da Educação a criação de uma nova diretriz educacional que, ao ser implantadas desde a primeira infância, construa um conhecimento acerca das doenças e seus métodos de combate por meio de debates e de dinâmicas, tornando essas pessoas partes ativa no combate a essa problemática. Com essas iniciativas, espera-se que o entrelaçar entre os agrupamentos sociais, proposto por Bourdieu, possa conduzir a relações mais humanizadas.