O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 27/09/2019
O filósofo iluminista do século XVII, John Locke, defende que o ser humano nasce dotado de direitos naturais, entre eles, educação e saúde de qualidade, sendo o Estado responsável por garanti-los. No Brasil, entretanto, a falta de informações sobre imunização, associada à globalização presente na sociedade contemporânea são fatores que permitiram o reaparecimento de doenças antes erradicadas, o que se tornou uma problemática de enorme relevância. Sob esse aspecto, é imprescindível a discussão acerca das possíveis medidas para atenuar tal impasse.
Mormente, o desconhecimento biológico, por parte de uma parcela populacional, corroboraram a reincidência de enfermidades que haviam sido controladas. Nesse sentido, as vacinas, criadas pelo médico inglês, Edward Jenner, surgiram para auxiliar o organismo a produzir anticorpos que combatem vírus e bactérias, fato esse que contribuiu, de forma inigualável, para a erradicação de diversas patologias, como sarampo, poliomielite e coqueluche. Porém, movimentos anti-vacinas, realizados por indivíduos que não têm o devido conhecimento, tomaram força ultimamente e contribuíram para o retorno dessas doenças no Brasil, por isso, é inadmissível que um país, dito democrático, permaneça inerte perante essa situação.
Em segunda análise, a facilidade do trânsito internacional de pessoas também é um fator importante que agrava o problema, pois corre-se o risco de trazer doentes de outras nacionalidades. Nessa perspectiva, em 2016, o Brasil recebeu, da Organização Pan-Americana da Saúde -OPAS-, o certificado de eliminação do vírus do sarampo, que foi perdido após essa doença voltar a ocorrer em Roraima, localizada na fronteira com a Venezuela, e se dispersar por outros estados. Portanto, é inaceitável que um Estado, signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, não garanta, minimamente, assistência, tanto informacional quanto médica, a toda população.
Diante disso, para que as prescrições de Locke não sejam apenas teóricas, mas se tornem medida prática, é necessária uma ação governamental mais organizada. Assim, o Ministério da Saúde deve informar, de forma mais eficaz, a comunidade brasileira sobre os riscos advindos da falta de imunização, por meio de palestras socioeducativas, realizadas em escolas públicas e privadas, com profissionais capacitados na área. Espera-se, com isso, formar jovens providos de visão crítica e, dessa maneira, erradicar novamente as doenças que prejudicam nossa sociedade. Ademais, a Polícia Federal precisa fiscalizar melhor os portos e aeroportos nacionais, visando à redução de imigrantes que estejam com a carteira de vacinação pendente e à garantia dos direitos a toda nação.