O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 02/10/2019
No início do século XX,durante a reforma urbanística que ocorreu no Rio de Janeiro,aconteceu a Revolta da Vacina,na qual acreditava-se que a campanha de vacinação seria uma forma de “higienização social”. No panorama hodierno brasileiro,embora tenha ocorrido um avanço nas medida profiláticas que combatem epidemias,nota-se o reaparecimento de doenças erradicadas,devido à existência de um retrógrado movimento antivacina. Nesse aspecto,fatores como a falta de credibilidade na ciência são disseminados no contexto das redes sociais,uma vez que há o compartilhamento de acusações de que vacinas causariam o autismo, atrapalhando a eficácia das campanhas de vacinação.
Primeiramente, é imperioso ressaltar como a falta de informação científica acerca da imunização é um risco à saúde global, haja vista o fato de que o ato de vacinar uma pessoa não trata-se de escolha pessoal, mas sim obrigação moral. Segundo o filósofo Jeremy Bentham, a ética utilitarista tem a perspectiva de agir com consequências coletivas, isto é, o valor moral da ação se define pelo bem coletivo a maior quantidade de pessoas. À vista disso, é incontrovertível que parte do contingente demográfico brasileiro atua de modo contraproducente a tal teoria, uma vez que pessoas são inflexíveis a essa problemática, deixando-se influenciar por boatos de Facebook. Assim sendo, ao não seguir o princípio da ética utilitarista suas ações seriam imorais, pois ignoram o fato de que quanto mais pessoas não forem vacinadas, maior é a circulação de vírus, causando a volta de doenças.
Destarte,urge analisar como a alienação relacionada à falta de informação médica pode nutrir o medo da população acerca do desconhecido.No livro “Raízes do Brasil”,Sérgio Buarque de Holanda analisa o conceito de cordialidade,no qual o homem cordial possuiria um predomínio da emoção sobre a razão.Mediante o exposto, nota-se que indivíduos que aderem ao movimento antivacina assemelham-se ao homem cordial, pois deixam o lado emocional,dotado de dilemas infundados,acima do lado racional.Dessa forma,o fato de não haver explicações biológicas difundidas sobre o processo de imunização,como a introdução de antígenos mortos ou atenuados poder gerar efeitos colaterais normais, assusta o povo. Assim, esse cenário é responsável pela volta de doenças como o sarampo.
Fica evidente,portanto,que medidas devem ser tomadas para cessar esse imbróglio.Assim,o Ministério da Saúde,aliado aos médicos,deve ampliar e facilitar a informatização sobre a importância da vacinação,por meio da entrega de cartilhas explicativas sobre a imunização e as sequelas que doenças podem deixar,salientando a nocividade de doenças como a poliomelite reaparecerem.Para isso,pode haver palestras em locais de amplo acesso como as escolas,as empresas ou as ruas,a fim de que o povo mude sua postura através do conhecimento e abandone ideais perigosos do início do século XX.