O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 03/10/2019

No início do século XX, com as reformas urbanísticas e sanitárias que ocorreram na cidade do Rio de Janeiro, houve a Revolta da Vacina, uma vez que o Estado obrigava a vacinação das pessoas sem transmitir a elas a informação a respeito do que consistia a vacina. Na atualidade, já se sabe a sua grande importância para a prevenção de doenças. Porém, apesar da constante queda dos índices de mortalidade infantil e do aumento da expectativa de vida no Brasil e no mundo, vem ocorrendo o reaparecimento de doenças erradicadas e há uma necessidade de trabalho conjunto da sociedade para pôr um fim a esse mal.

Em primeiro lugar, tem-se a grande banalização que as doenças sofreram no decorrer dos anos. Isso se deve pela falsa noção que a população brasileira tem de que, se a doença já foi erradicada, não há mais necessidade de prevenir-se. Entretanto, os vírus e bactérias podem sofrer mutações no decorrer do tempo e, graças à seleção natural, variações mais resistentes podem ser selecionadas, o que acarreta em uma forma mais intensa da doença. Como exemplo, houve um surto de sarampo em 2018 na região norte, em que, refugiados venezuelanos entraram no Brasil portando o vírus e, pela falta de imunização da população local, houve uma grande contaminação. Caso essas pessoas estivessem vacinadas, por mais que o vírus chegasse mais nocivo, o organismo conseguiria combate-lo.

Além disso, o acesso à informação no país não é democratizado, o que garante que muitas pessoas se informem por meio das redes sociais. Visto que, no final do século XX um médico britânico fraudou um estudo alegando que as vacinas tinham relação com o autismo nas crianças, esse dado volta a percorrer a sociedade, somado ao advento das “fake news”, garantindo um acréscimo dos adeptos ao “movimento antivacina”. Entretanto, a vacina é um antígeno que incentiva o sistema imune a produzir anticorpos e, a partir da memória imunológica, evitar uma possível infecção futura. Assim, como parte da população não possui uma informação verídica acompanhada de reflexão, famílias que aderem ao movimento acabam se tornando hospedeiros fáceis para a inoculação dos patógenos.

Logo, não há como negar que as vacinas são elementos insubstituíveis na vida da população brasileira, uma vez que eliminam doenças. Então, cabe às escolas, em parceria com o Ministério da Saúde, promoverem campanhas a favor da vacinação para jovens e suas famílias, contando com a presença de profissionais da saúde, como médicos e enfermeiros, de forma a levantar discussões e debates, levando aos alunos experiências reais sobre o convívio com as doenças, de forma a garantir informações legítimas sobre a importância da vacinação na vida humana, a fim de promover melhora na qualidade de vida da sociedade. Por fim, assim não haverá o risco de uma nova Revolta da Vacina.