O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 04/10/2019
Sísifo Brasiliensis
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Assim, todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, então a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos cidadãos brasileiros, que buscam ultrapassar as barreiras às quais os separam do direito de acesso à saúde de qualidade, bem como a imunização e a conscientização, pois há o retorno de doenças já controladas. Nesse contexto, convém analisar o papel fiundamental do Estado e suas ações perante a situação, que se torna cada vez mais desafiadora.
A princípio, a Constituição Cidadã de 1988 garante a saúde de qualidade como direito de todos e dever do Estado, sendo o compromisso deste promover o acesso igualitário e universal às ações e aos serviços para a sua formação e proteção, todavia, o poder executivo não efetiva esse direito. Nesse sentido, vale ressaltar a lógica de Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, no qual disserta a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo, verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil à medida que urge maior atenção e ataque ao movimento antivacina, do qual é consistente uma das maiores ameaças para a saúde pública, uma vez que afeta a população em todos os seus níveis.
No tocante às causas dessa problemática, nota-se a precária presença de informações verossímeis circulante entre as pessoas. Assim, visto que as “fake news” (notícias falsas) estão em ascensão, adentra-se nos prejuízos que elas vêm causando na saúde, explicitando a gravidade de sua amplitude. Sob essas perspectivas, em 2019 a Organização Mundial da Saúde incluiu o conteúdo antivacina das redes sociais como um dos dez maiores riscos à saúde global. Ademais, é notório que não tomar vacinas é tão perigoso quanto os vírus, já que quanto mais pessoas aderirem ao movimento, maior será o retrocesso no combate as doenças, inclusive algumas já controladas, como por exemplo o sarampo e a poliomelite.
Ante o exposto, debruçar-se sobre esse impasse é indebutável. Portanto, cabe ao Executivo Federal, por meio do Ministério da Saúde, investir para impulsionar o poder de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS), com o fito de abranger todo o território nacional de maneira eficiente, levante campanhas de vacinação e conscientização. Não obstante, o SUS deve levar psicólogos a fim de mitigar os entraves com diálogos. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.