O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 08/10/2019

Em 1796, o médico Edward Jenner realizou uma série de pesquisas e experimentos que resultou na primeira vacina contra a malária. Desde então, esse método de imunização passou por desenvolvimentos e é aplicado em todo o mundo. Não obstante, no Brasil, apesar dos avanços alcançados na área de saúde, é evidente que o descaso do Estado, bem como a desinformação populacional faz com que graves doenças, até então controladas, voltem a assombrar inúmeros cidadãos. Com efeito, torna-se fundamental refletir sobre as consequências desse quadro, assim como maneiras de o interromper.

Em primeira análise, por mais que a Constituição Federal de 1988 garanta como direito, por meio da Lei nº 11.445/2007, o conjunto de serviços ligados à infraestrutura, drenagem e abastecimento de água, é fato que a ausência de saneamento básico compromete a qualidade de vida e a saúde do brasileiro. São mais de 35 milhões de pessoas sem acesso à água tratada e esgoto no país, segundo o Instituto Trata Brasil. Nesse sentido, o adensamento populacional em condições precárias propicia a reprodução do inseto vetor de doenças como chikungunya, dengue e zika, ocasionando novos surtos epidêmicos.

Ademais, vale ressaltar que a facilidade de disseminação de informações e a descrença da população nos institutos de saúde agrava ainda mais o problema. Exemplo disso são as correntes e conteúdos circulantes em redes sociais que incluem relatos infundados e pesquisas científicas derrubadas em há décadas. Assim, notícias retrógradas e inválidas como a associação entre a vacina tríplice viral e o autismo, realizada por Andrew Wakefield, induzem não só ao erro, mas ainda propagam mitos e tabus, sobretudo entre as camadas populacionais mais vulneráveis. Prova disso são as coberturas insuficientes de imunização, consoante dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cobertura da poliomielite está abaixo de 50% em 312 municípios, enquanto a meta estipulada era de 95%.

Considerando os aspectos mencionados, é dever do Governo Federal, em parceria com empresas públicas e privadas, investir em melhorias de saneamento básico por meio de projetos de expansão de tratamento de esgoto e ampliação de construção de aterros sanitários, principalmente em áreas carentes, a fim de diminuir os índices de doenças tropicais nas cidades brasileiras. Com isso, as prefeituras de cada município, devem criar programas voltados à aproximação entre famílias e institutos de saúde, por intermédio de palestras e eventos temáticos públicos ministrados por médicos e pesquisadores que elucidem e conscientizem a população acerca da importância e benefícios da vacinação, de maneira a combater estigmas e propagar valores como respeito e empatia.