O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 11/10/2019
A Revolução Técnico-Científico-Informacional inaugurou numerosos avanços não apenas no setor da informática, mas também na área da saúde, o que propiciou a supressão de patologias altamente nocivas ao bem-estar social. No entanto, mesmo diante desse considerável movimento de modernização, a negligência da população em seguir os parâmetros recomendados para a prevenção de enfermidades, bem como a letargia governamental em garantir a conservação da saúde pública têm provocado o reaparecimento de doenças, antes erradicadas no Brasil e no mundo.
Em primeiro lugar, é lícito pontuar que a ignorância social acerca da importância da vacinação constitui um fator preponderante para o reaparecimento de doenças erradicadas. Parafraseando o filósofo Immanuel kant, o esclarecimento configura-se o principal recurso que o ser humano dispõe para se desvencilhar do estado de “menoridade intelectual”- carência de autonomia sobre o próprio intelecto. Nesse sentido, ao analisar os dados divulgado pela Organização Mundial de Saúde(OMS), segundo a qual uma em cada cinco crianças não são imunizadas, infere-se que a falta de elucidação da sociedade sobre a importância da imunização na prevenção de doenças, como sarampo e tuberculose, ainda é uma realidade no século XXI e corrobora o ressurgimento dessas enfermidades em todo o contexto global, sobretudo em países emergentes, como o Brasil.
Em segundo lugar, é imperioso destacar que esse cenário desafiador, marcado pelo desconhecimento social, sucede, principalmente, da displicência do Estado em promover a redução do risco de doenças, conforme previsto no artigo 196º da Constituição Federal de 1988. Consoante à reflexão aristotélica, apresentada pelo filósofo grego na renomada obra “Política”, o objetivo primordial do Governo é garantir a felicidade coletiva. Seguindo esse pressuposto, conclui-se que o aparato estatal descumpre sua função, tendo em vista os ínfimos investimentos destinados aos programas de conscientização social, o que culmina na perpetuação da condição proposta por Kant e, consequentemente, na reincidência de doenças que são prevenidas com a vacinação adequada.
Despreende-se, portanto, que a alteração dessa conjuntura laboriosa é substancial para o equilíbrio social. Para isso, cumpre ao Governo Federal, na figura do Ministério da Saúde, estimular o senso crítico e conscientizar a população, por meio da elaboração de campanhas governamentais -divulgadas pelos diversos veículos de comunicação - que explicitem a relevância da vacinação e os efeitos deletérios causados pela sua omissão, a fim de fomentar a prática de ações responsáveis e necessárias para a consolidação do bem-estar na sociedade. Desse modo, essa problemática reverter-se-á em avanços sociais análogos aos propiciados pela Revolução do século XX.