O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 12/10/2019
A reforma urbana Pereira Passos, ocorrida no ano de 1904, no Rio de Janeiro, teve como uma das suas principais ações a vacinação obrigatória da população contra a varíola. Essa ação, entretanto, não foi bem recebida pela sociedade civil da época e gerou um histórico movimento popular, conhecido como Revolta da Vacina. Esses protestantes recusaram-se a receber a dose do medicamento, devido à crença na ineficácia desse método profilático. Assim, é possível estabelecer uma relação com o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, que apresenta os movimentos anti-vacina contemporâneos como uma de suas causas diretas, além de outros fatores, como desastres ambientais. Por isso, é indispensável que medidas sejam tomadas para a reversão desse panorama.
Em primeiro lugar, é imprescindível expor os efeitos que as correntes contra a vacinação causam no país. Nesse viés, a mesma convicção dos integrantes da supracitada revolta de 1904 está presente aqui, o que causa a não imunização do percentual populacional pré determinado pelo governo. Esse fenômeno, consequentemente, prejudica a chamada “imunidade de grupo” - modelo científico que determina o taxa necessária de imunizados que impossibilite a disseminação da doença -, o que explica, em parte, o retorno de patologias extinguidas, como o sarampo. Portanto, torna-se notória a premência da tomada de iniciativas para a resolução dessa conjuntura iníqua.
Ademais, é fundamental ressaltar, também, as consequências sobre o ambiente de ações antrópicas, como a mineração, se realizadas irresponsavelmente. Essas intervenções humanas podem gerar desastres, como o rompimento de uma barragem em Mariana, Minas Gerais, no ano de 2015. Esse acontecimento teve como resultado o lançamento de quilômetros cúbicos de rejeitos minerais no meio, o que segundo a Fundação Oswaldo Cruz, desequilibrou o ecossistema local. Tal desequilíbrio contribuiu diretamente para a reprodução exacerbada do mosquito vetor da febre amarela silvestre, que, por consequência, ao infectar inúmeros mamíferos, possibilitou a chegada da doença ao meio urbano. Desse modo, o ressurgimento da febre amarela urbana, erradicada na década de 1940, evidencia a necessidade de um ponto de inflexão nesse cenário.
Dessarte, para a inibir esse reaparecimento de enfermidades, urge ao Governo Federal, a criação de programas de incentivo à vacinação por meios de propagandas publicitárias na internet e em plataformas como rádio e televisão, essa ação tem de ser feita com recursos do Sistema Único de Saúde, e deve ter como finalidade aumentar a taxa de imunes no Brasil. Outrossim, é dever da Polícia Federal fiscalizar instalações de empresas mineradoras, com o fim de evitar possíveis ocorrências ambientais. Dessa forma, haverá meios de evitar o retorno de moléstias extintas.