O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 16/10/2019
Entende- se como doenças erradicadas, enfermidades que após inúmeras vacinações coletivas não mais acometem a população de um local específico. Segundo o artigo 196 da Constituição Federal, promulgada em 1988, " a Saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas". Contudo, trinta anos após a promulgação da Carta Magna, apesar de inúmeras campanhas de vacinação, é notório o reaparecimento de doenças até então extintas. Dessa forma, por ferir um dos direitos sociais do cidadão: a saúde, o Ministério da Saúde deve tomar providências que revertam este quadro.
Em 1904 a vacina foi introduzida pela primeira vez no Brasil pela ação do médico e sanitarista Oswaldo Cruz que procurava conter epidemias de varíola que ocorriam no Rio de Janeiro. Na época a ação foi recebida com muita desconfiança e insubordinação devido a falta de conhecimento e informação por parte da população, levando a eclosão da “Revolta da Vacina” (1904) que culminou no processo de vacinação obrigatória. Da mesma forma, mais de cem anos depois, por falta de instrução e percepção. O Retorno de doenças exterminadas a algumas décadas, desencadeia um grave problema de saúde pública. Com a vacinação, aumenta-se a qualidade e expectativa de vida, protegendo a população contra determinadas doenças.
Essa reincidência de doenças erradicadas, deve-se ao fato da disseminação de “fake News”, que em sua grande maioria, são criadas por grupos antivacinas e céticos da eficiência desse tipo de prevenção. Falsas informações são repassadas adiante por pessoas leigas, atingindo muitos outros indivíduos que tomam a reportagem como verdade absoluta e deixam de se imunizarem. Segundo dados do programa nacional de imunização do Ministério da Saúde, nos dois últimos anos, a meta de ter 95% da população alvo vacinada, contra as principais doenças não foi alcançada, e, dentre as vacinas do calendário infantil, apenas a BCG teve índices satisfatórios entre 2016 e 2017. De acordo com o vice-presidente da Sociedade Brasileira de imunização, Renato Kfouri, Um dos fatores dos índices de vacinas estarem baixos é a falta de conhecimento e valorização, além de “fake News” assombrando cidadãos.
Diante do que foi exposto, é necessário que o ministério da saúde promova campanhas de conscientização social e a intensificação de propagandas em horário nobre nos meios de comunicação, além de investimentos na capacitação de agentes da área da saúde que visitem lares, levando conhecimento e informação nas áreas mais afetadas. É de suma importância a compreensão das especificidades da população e que órgãos de saúde promovam campanhas de vacinação e equidade aos cidadãos.