O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 17/10/2019

Descoberta pelo médico britânico Edward Jenner, a vacina é, sem dúvida, uma revolução para saúde humana. Contudo, nos últimos anos, o ressurgimento de doenças tem preocupado autoridades em tudo mundo. No Brasil, a banalização de algumas patologias e o aumento de movimentos anti-vacinação tornam esse cenário ainda mais preocupante.

Em primeiro lugar, cabe analisar como a melhoria nos tratamentos interfere no reaparecimento delas. Isso ocorre porque, com o avanço da medicina, doenças como a aids, por exemplo, tornaram-se controláveis. Afinal, portadores do vírus HIV obtiveram aumento na qualidade de vida. Logo, alguns deixaram de lado a prevenção, o que também ocorre com outras doenças, como a rubéola e febre amarela, ambas integrantes do Programa Nacional de Imunização (PNI), e sobre controle anos atrás.

É nesse contexto que algumas delas voltaram a aparecer no Brasil e no mundo, graças ao fortalecimento dos movimentos anti-vacinação. Para se ter ideia, o sarampo, que também faz parte do PNI, havia sido considerado erradicado em 2016, mas voltou a preocupar em 2019, após surto em São Paulo. Esse problema, inclusive, já pode ser considerado um fato social, que segundo Émile Durkheim é uma maneira coletiva de agir ou pensar. Afinal, para muitos, rejeitar os avanços proporcionados por Jenner tornou-se, ainda que prejudicial, um estilo de vida.

Fica claro, portanto, que o enfrentamento a banalização é fundamental para minimizar o ressurgimento delas. Por isso, o Ministério da Saúde, em parceria com as prefeituras, deve a exemplo do que já é feito no combate à dengue, disponibilizar recursos para contratação e treinamento de agentes de saúde. Por sua vez, eles podem por meio de visitas domiciliares identificar crianças e adultos com a vacinação atrasada, a fim de imunizá-los, reduzindo o surgimento de novos casos. Ademais, cartilhas explicativas precisam ser distribuídas com intuito de conscientizar a população no combate às diferentes doenças. Desse modo, o legado do médico britânico continuará a ser revolucionário para humanidade.