O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 17/10/2019

O Artigo 6º da Constituição Federal Brasileira garante, entre outros, o direito social à saúde. Entretanto, essa garantia se encontra deficitária atualmente, evidenciada, em especial, pelo reaparecimento de doenças erradicadas. Diante disso, é crucial analisar não só o papel falho das políticas públicas voltadas para a ação preventiva, mas também o descaso da indústria farmacêutica e dos próprios indivíduos como fatores que favorecem esse cenário, a fim de revertê-lo.

Convém destacar, a princípio, que a varíola, primeira doença a ser erradicada no mundo, e posteriormente outras, como o sarampo, só obtiveram esse resultado pela ação preventiva das vacinas. Paralelamente, no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) é o principal responsável pelo processo de vacinação, o que resulta em uma crescente sobrecarga do órgão, inversamente proporcional à qualidade do serviço. Dessa forma, grande parte da população dependente da saúde pública sofre com a falta de informação e acesso às vacinas, o que resulta em surtos de muitas doenças consideradas erradicadas.

De forma complementar, outro fator agravante para o problema é o descuido por parte dos indivíduos. O desaparecimento temporário de casos epidêmicos favorece um sentimento de despreocupação e leva ao ideal de que o ressurgimento não é possível. Soma-se a isso o descaso farmacêutico frente à essa situação, que deixa de investir em pesquisas para a melhoria dos medicamentos já existentes, ao mesmo passo que as causas etiológicas sofrem constante evolução e seleção, fato observado pelo cientista Charles Darwin. Assim, sem um investimento em pesquisas, o poder de cura dos remédios se torna menos eficiente a cada regresso das doenças. É necessário, portanto, promover ações as quais alterem esse quadro.

Logo, cabe ao Estado, juntamente com seus órgãos no âmbito da saúde, promover uma melhoria no acesso ao sistema de vacinação, por meio de campanhas e palestras, a fim de informar e esclarecer a população sobre a importância das vacinas para a prevenção. Ademais, é essencial que a mídia, grande influenciadora, publique notícias sobre esse quadro, por meio da divulgação de dados quantitativos dos casos decorrentes da volta dessas doenças, com o intuito de alertar os indivíduos sobre a situação e evitar o negligenciamento. Com tais medidas, espera-se uma melhora significativa desse cenário.