O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 19/10/2019
“A vacina que mudou o mundo” é o nome dado ao documentário, lançado no ano de 2010, que relata o cenário nacional na década de 50, quando foi desenvolvida a vacina responsável por erradicar a Poliomielite, doença que se caracteriza por causar paralisia nas crianças. Entretanto, a mesma e outras patologias, outrora eliminadas no Brasil, voltaram a ser motivo de preocupação. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude dos movimentos anti-vacina e da negligência dos indivíduos.
Convém ressaltar, a princípio, que o aparecimento de grupos contra a vacinação é fator determinante para a persistência da problemática. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre vacinação, sua visão será limitada, o que se torna um desafio à popularização desta. Destarte, de forma análoga a primeira Lei de Newton, é necessário que as autoridades competentes realizem uma força para romper com essa inércia social e dessa maneira, alterarem esse quadro preocupante.
Além disso, a reemergência das doenças erradicas encontra terra fértil na desatenção dos cidadãos, uma vez que é notório uma falsa sensação de que as doenças não existem e não oferecem mais riscos a população, diante disso famílias deixam de se imunizar. Segundo o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Assim, os desafios à popularização da vacinação, mesmo que fortemente presentes no século XXI, apresentam raízes intrínsecas à história brasileira, como por exemplo, a Revolta da Vacina, ocorrida no Rio de Janeiro, no início do século XX, fator que dificulta ainda mais a resolução.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que sejam tomadas ações para resolver esse impasse. Para que isso ocorra, o MEC, juntamente com o Ministério da Cultura, devem desenvolver palestras em escolas para alunos, pais e funcionários, a serem webconferenciadas, ou seja, haver um encontro virtual nas redes sociais desses órgãos, por meio de entrevistas com especialistas no assunto, com o intuito de trazer mais lucidez sobre o tema. Além disso, nesses eventos, é preciso discutir a importância da vacinação para a sociedade brasileira, com o propósito de conscientizar a população e erradicar o reaparecimento dessas doenças. Por fim, é importante que o povo brasileiro se encare como responsável pelo problema, pois, de acordo com Platão, o primeiro passo para mover o mundo é mover a si mesmo.