O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 22/10/2019

A vacinação chegou ao Brasil no final do século XX, por intermédio do médico Oswaldo Cruz. Na época, a vacina foi recebida com desconfiança pela população, que via no método, mais uma forma autoritária de interferência estatal em suas vidas. Atualmente, as vacinas são amplamente aceitas como parte essencial da promoção da saúde pública, tendo em vista a erradicação de várias doenças no território brasileiro. Entretanto, algumas dessas patologias têm reaparecido no país, seja por fatores governamentais ou pela crescente circulação de pessoas no mundo globalizado.

Observa-se, em primeira instância, que o descaso estatal é um dos principais problemas para o surto de doenças erradicadas. Sabe-se que a saúde é um direito de todos, garantido constitucionalmente, no entanto, o Estado falha ao não priorizar investimento em campanhas de vacinação e em recursos que garantam uma alta cobertura vacinal. De acordo com o Ministério da Saúde, há estados brasileiros em que mais de 10% dos municípios estão com cobertura abaixo de 50%, como consequência, está ocorrendo a reincidência de doenças erradicadas, como o sarampo, no país. Nota-se que é de extrema importância que ocorra investimentos governamentais em saúde.

Outro fator importante é o intenso fluxo migratório de pessoas, que, quando vindas de uma população que não erradicou certo vírus, trazem consigo o chamado “vírus importado”. Sabe-se que com a maior circulação de pessoas viajando, seja pelo turismo, comércio ou até mesmo por crises políticas, como a Venezuela, a possibilidade de espalhar vírus, antes controlados, por todo o território brasileiro é alta. Um exemplo é a volta do sarampo no país, que, segundo o G1, 61% dos casos em Roraima foram entre migrantes venezuelanos. Ademais, em conformidade com o Ministério da Saúde, um vírus importado só tem efeito quando encontra um indivíduo não imunizado, ou seja, a volta dessa patologia ocorreu também porque parte da população brasileira deixou de tomar as vacinas.

Torna-se evidente, portanto, que a volta de doenças erradicadas tem se tornado uma questão em pauta no Brasil. Para resolver tal impasse, o Ministério da Saúde, em parceria com a Mídia, irá investir em campanhas de vacinação e propagandas informativas, nas quais sejam inclusas personalidades da internet, como youtubers, visando atrair a atenção do público em geral, alertar sobre a importância da vacinação e evitar o surto de doenças. Por fim, em conjunto com a Receita Federal, deverá destinar parte do dinheiro reunido nos impostos para a arrecadação de mais vacinas e abastecimento em postos de saúde, principalmente em estados que fazem fronteira com outros países, para que, assim, a população permaneça imunizada e as doenças erradicadas.