O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 24/10/2019

A vacinação consiste num método de imunização, que estimula a produção de anticorpos ao contato com o agente da enfermidade atenuado ou inativo. Essa prevenção é fundamental para erradicar epidemias, sendo oferecida de forma gratuita nos postos de saúde brasileiros. Contudo, os movimentos antivacina e o mal abastecimento constituem desafios à garantia da vacinação no país, o que provoca o aumento da mortalidade infantil ao haver o reaparecimento de doenças já combatidas no Brasil.

Primeiramente, é importante ressaltar que os movimentos antivacina são os precursores da movimentação das chamadas “notícias falsas” sobre a vacinação. Nesse viés, ao compartilharem com as ideias dessa resistência, os responsáveis negligenciam o calendário proposto pelo Programa Nacional de Imunização, o que deixa o filho a mercê de doenças fatais. Algumas dessas enfermidades são a poliomielite, o sarampo e a rubéola, que apesar de combatidas no território, são transportadas por estrangeiros devido ao fenômeno da globalização. Assim, a mortalidade infantil cresce em decorrência da ignorância dos pais quanto à gravidade dessas doenças erradicadas e ao seu reaparecimento.

Ademais, a escassez na disponibilidade das vacinas nos postos de saúde também é um fator que contribui para o reaparecimento de doenças, já que houve o desabastecimento da vacina pentavalente em todo o país em agosto de 2019. Nesse contexto, apesar das medidas tomadas pelo Ministério da Saúde (MS) para contornar esse quadro, a falta de abastecimento faz-se frequente, haja vista sua presença também em 2015 com a vacina da tríplice viral. Dessa forma, é necessário o investimento no transporte de vacinas e a sua aplicação nas fronteiras para evitar que as doenças erradicadas trazidas de outros países transformem-se novamente em epidemias no Brasil, como ocorreu com o surto de sarampo em 1997.

Depreende-se, portanto, que a ignorância e a falha no abastecimento das vacinas são desafios do combate ao reaparecimento de enfermidades. Nesse contexto, urge que o MS, em conjunto com biomédicos, promova palestras sobre a importância da vacinação por meio da exposição da sua atuação e de dados estatísticos referentes à mortalidade. Essa ação deve ser realizada em parques, buscando atingir os adultos, e tem o fito de resgatar a consciência das consequências das ações dos responsáveis que negligenciam as vacinas. Por outro lado, pode-se investir no transporte das vacinas e na exigência da sua aplicação nas fronteiras do país mediante o aumento de verbas e fiscalização na entrada de imigrantes, a fim de conter o avanço das doenças. Desse modo, a vacinação pode ser efetiva no Brasil ao evitar que haja o reaparecimento de doenças previamente combatidas.