O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 30/10/2019

Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o certificado de eliminação da circulação do vírus do Sarampo. Entretanto, em 2018, começaram a reaparecer casos da doença pelo país. Tal ressurgimento de patologias erradicadas deve-se ao descaso da população com a vacinação e a ausência de políticas públicas efetivas no controle da imunização de imigrantes. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Em primeiro lugar, na última década os brasileiros têm negligenciado o cumprimento da carteira de vacinação infantil. Em 1988, o pesquisador inglês Andrew Wakefield associou a vacina Tríplice Viral a casos de autismo, desde então os índices de vacinação decresceram. Mesmo após a refutação dessa ideia, o medo de possíveis efeitos colaterais afastou a população dos postos de saúde. Dessa maneira, o retrógrado movimento anti-vacina se instaurou e, como consequência da falta de imunidade, doenças que há anos não apareciam começaram a acometer a população.

Outro aspecto a ser abordado é a falta de monitoramento das fronteiras brasileiras em relação às doenças importadas de países vizinhos. De acordo com registros da Polícia Federal, o número de imigrantes no Brasil aumentou 160% nos últimos 10 anos. Por certo, uma maior circulação de pessoas implica diretamente em maiores riscos de contaminação. Ademais, vale ressaltar, que não há uma conduta definida pela Ministério da Saúde que atue na verificação e tratamento de imigrantes contagiados.

Fica claro, portanto, que para prevenir que mazelas já combatidas voltem a circular no país, medidas precisam ser adotadas. Sendo assim, urge que o Ministério da Saúde, por meio das mídias sociais, compartilhe campanhas publicitárias em favor da vacinação e que garantam a sociedade conhecimento verídico sobre o funcionamento das vacinas. Além disso, ele deve criar postos, nas cidades fronteiriças, específicos em fiscalizar e assegurar que imigrantes contaminados só entrem no país após tratamento. Para que, dessa maneira, o Brasil possa seguir livre de doenças do passado e, além do certificado da OPAS, obter melhorias na saúde coletiva.