O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 26/10/2019

O reaparecimento da doença viral Ebola, no ano de 2013 na África, convergiu para a morte de mais de três mil pessoas nesse continente, segundo dados da ONU. Tal fato se deu devido ao vírus - que teve seu primeiro surto em 1976 - apresentar uma nova variância e consequentemente um atenuado poder de letalidade. Não diferente disso, no Brasil, o reaparecimento de doenças erradicadas como o Sarampo e a Rubéola, deixou os órgãos de saúde em alerta devido aos altos índices de casos em um curto período de tempo. Diante disso, fica claro a necessidade do combate a tal problemática para que não se torne rapidamente uma epidemia nacional como no caso da África.

A priori, segundo uma reportagem publicada no portal de notícias G1, a cobertura vacinal no Brasil teve uma queda de mais de 37% entre os anos de 2008 e 2018. Isso é consequência principalmente da irresponsabilidade dos pais que não seguem o calendário de vacinação, por motivo de esquecimento ou até mesmo seguindo orientações do movimento antivacinação. Desse modo, se faz necessário uma atuação efetiva do Estado visando alertar a população dos riscos da não vacinação e também punir pais que ainda persistam com ideais de movimentos que não possuem nenhum amparo científico.

Outrossim, o filósofo Arthur Schopenhauer em uma de suas frases disse: “O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar sua saúde a qualquer outra vantagem”. Isso sintetiza o outro vetor de disseminação de doenças até então erradicadas, a automedicação de anti-inflamatórios e antibióticos. Mesmo com a proibição da venda desses medicamentos sem receita médica, sua comercialização ilegal ainda existe, gerando bacterioses cada vez mais letais e sem a possibilidade do combate, exemplo disso é o surto de Sífilis. Diante disso, fica evidente que é preciso uma maior fiscalização e combate a tais atos que geram riscos a saúde pública nacional.

Nesse contexto, fica claro a necessidade do combate ao reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde em conjunto com o da Educação, devem desenvolver cartilhas e videos informativos para serem distribuídos nas escolas e universidades, visando alertar sobre os riscos da não vacinação e da responsabilidade dos pais quanto ao seu papel no cuidado da saúde dos seus filhos, podendo responder judicialmente em caso de negligência. Somado a isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária em conjunto com o Poder Legislativo, devem buscar endurecer leis que punam estabelecimentos que vendam medicamentos sem receita médica, também cabe a esse desenvolver forças tarefas que busquem fiscalizar a autuar tais comércios ilegais. Somente dessa forma será possível diminuir índices tão preocupantes e evitar epidemias como ocorrido na Africa.