O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 14/11/2020

No conto Garganta de Aço, do escritor Mikhail Bulgákov, o médico protagonista se irrita com a mãe e a avó de uma criança doente, visto que a menina está sofrendo de difteria há 5 dias e as responsáveis não a levaram ao hospital por causa de ideias conspiratórias, deixando, então, a indefesa sofrer. Não diferente do livro, o Brasil está em regresso, em termos de saúde, visto que doenças antes erradicadas agora estão retornando, como o sarampo e a difteria. Por isso, é necessária análise dessa problemática, que envolve tanto o poder das “fake news” quanto a cultura negligente de parte dos brasileiros que não valorizam a importância da medicina preventiva para o coletivo social.

Primeiramente, há o poder da informação sobre a saúde do brasileiro. De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde, o Brasil erradicou, em 2016, o vírus do Sarampo. Porém, segundo o Ministério da Saúde, o país registrou, em 2018, um surto dessa doença, com mais de 10 mil casos. Isso foi causado, sobretudo, pelo aumento de notícias falsas nas redes virtuais de comunicação, onde pessoas compartilharam estudos duvidosos que afirmavam a relação da vacina do sarampo com o autismo em crianças. Esse estudo questionável pertencia ao médico britânico Andrew Wakefield e foi compartilhado no Brasil através das redes sociais “What’s App” e “Facebook”, o que gerou muitas dúvidas nos pais e parte deles não vacinaram mais seus filhos. Assim, aumentou-se o número de não imunes e depois aumentou-se o número de doentes. Logo, percebe-se que as informações mentirosas têm sido prejudicais à saúde brasileira na medida em que desvalorizam a Medicina e geram mortes.

Além disso, há a cultura da falta de prevenção médica em alguns cidadãos. Segundo o filósofo estoico Sêneca, querer ser curado é parte da cura. Porém, o Instituto Qualibest aponta que, apesar de querer uma vida longa e saudável, somente 43% dos brasileiros cuidam da saúde de forma preventiva. Como consequência, uma outra doença erradicada está retornando: a Difteria. Conforme aponta Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, apesar de haver vacina para essa doença, ainda há pessoas desprotegidas, e, se alguém contaminado entrar no país, os não vacinados podem gerar uma nova epidemia. Dessa forma, constata-se que o descaso com a saúde individual está prejudicando não só aos indivíduos, mas, também, à pluralidade da nação.

Percebe-se, portanto, que a saúde coletiva brasileira está retroagindo com o retorno de doenças já exterminadas pelos nossos antepassados. Para impedir esse retrocesso, é necessário que o Ministério da Saúde (M.S.) intensifique a vacinação, através de campanhas compulsórias nas escolas e mutirões de agentes públicos de saúde. Nessas mobilizações, os agentes de saúde podem palestrar às comunidades a importância e obrigação legal da vacinação para todos e desmistificar os métodos cien