O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 03/11/2019

Em 2018, o Brasil entrou em alerta para uma grave problemática na saúde pública: o reaparecimento da febre amarela nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Esse fato levou, inclusive, a população - motivada por desinformação - a praticar crimes contra a vida de macacos na mata nativa dessas regiões, pois esses, supostamente, seriam transmissores da doença. Nesse sentido, o ressurgimento de doenças erradicadas no país é uma questão que leva Governo e sociedade civil a debaterem os desafios para vencer esse quadro. Assim é lícito afirmar que a ineficiência estatal e a postura nociva de parte da sociedade contribuem para a perpetuação desse revés.

A princípio, evidencia-se, por parte do Estado, uma ausência de políticas públicas que evitem que enfermidades já erradicadas retornem ao Brasil. Essa lógica é comprovada pelo papel meramente ilustrativo do Ministério da Saúde na administração pública do país. Instituído para ser a entidade máxima de gestão da saúde pública brasileira, esse órgão exerce um papel passivo no que diz repeito à criação de novas medidas efetivas de combate ao retorno de doenças, como novas campanhas preventivas de vacinação e estudos para mapeamento de possíveis ameaças à saúde e bem-estar do brasileiro. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Outrossim, é imperativo pontuar que o comportamento irresponsável de parcela da sociedade civil também colabora para o agravamento da situação do reaparecimento de doenças erradicadas em terras tupiniquins. Isso decorre, em parte, dos péssimos hábitos de higiene de fração da população brasileira, que ignora ações simples, como lavar as mãos após ir ao banheiro e limpar corretamente frutas e legumes. Dessa forma, ao passo que ignora ações que podem precaver mazelas, a população torna-se um agente dificultador da manutenção da saúde pública nacional. Destarte, é essencial a reformulação dessa postura de modo urgente.

Portanto, evitar o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil é papel do Estado e da sociedade. Posto isso, o Ministério da Saúde deve, por meio de parceria com o Instituto Oswaldo Cruz e Universidades, realizar pesquisas de identificação de possíveis novos casos de enfermidades extintas no país, a fim se antecipar a uma epidemia e conseguir e, por conseguinte, proteger preventivamente a população. Ademais, o Ministério da Saúde deve também, mediante palestras e seminários em escolas e praças públicas, explanar hábitos de higiene às pessoas, com o objetivo de criar uma consciência  de hábitos saudáveis na população. Dessa maneira, a vida dos brasileiros estará mais protegida da volta das doenças erradicadas pois, como pontuou Platão, pensador grego, ‘‘o importante não é viver, mas viver bem’’.